O prejuízo do GPA somou R$ 572 milhões no quarto trimestre de 2025, informou a companhia na terça-feira (25), redução de 48,2% ante igual período de 2024. Apesar da melhora anual, o número ficou bem acima da estimativa média de R$ 134 milhões apurada pela LSEG.
Além disso, o próprio GPA reconheceu, na nota explicativa 1.6 do balanço, que há “incerteza relevante” que pode levantar dúvida sobre a continuidade operacional no Brasil. O alerta desloca o foco do mercado para a estrutura de capital e os vencimentos previstos para 2026.
Prejuízo do GPA e efeito contábil no trimestre
O resultado negativo foi parcialmente compensado por um efeito fiscal positivo de R$ 179 milhões, ligado ao reconhecimento de ativo fiscal diferido após impairment na venda da participação na FIC. Considerando apenas operações continuadas, o prejuízo atribuído aos controladores foi de R$ 523 milhões.
Por outro lado, o Ebitda ajustado alcançou R$ 510 milhões, alta de 2,5%, superando a projeção de R$ 466 milhões. A margem operacional, porém, segue pressionada por despesas financeiras crescentes, que atingiram R$ 920 milhões no acumulado do ano.
Estrutura de capital pressiona rede de supermercados
O GPA encerrou dezembro com capital circulante negativo de R$ 1,224 bilhão. Segundo a companhia, o quadro decorre principalmente de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026, que somam R$ 1,7 bilhão.
Embora o fluxo de caixa operacional tenha avançado para R$ 669 milhões em 2025, 2,6 vezes acima de 2024, o aumento do custo financeiro consumiu parte relevante dessa geração. A dívida líquida de curto prazo dobrou em um ano, passando de R$ 850 milhões para R$ 1,7 bilhão.
Prejuízo da GPA e o cenário para 2026
A empresa afirmou que busca alongamento de prazos, redução do custo financeiro e monetização de créditos tributários. Contudo, declarou que ainda não possui contratos firmados para renegociação.
Enquanto isso, a receita líquida do trimestre do GPA recuou 2%, para R$ 5,114 bilhões, refletindo a descontinuação do formato Aliados e uma demanda alimentar mais moderada, segundo o relatório. No conceito mesmas lojas, houve avanço de 2,7%, sinalizando reação operacional.
Dessa forma, o prejuízo do GPA deixa de ser apenas um dado contábil e passa a refletir um teste relevante sobre liquidez, refinanciamento e capacidade de recompor a estrutura financeira em um ambiente de juros elevados.





