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Lucro maior, dívida menor: o que está por trás do resultado da C&A no 4°trimestre

Resultado da C&A no 4T25 mostra lucro maior, avanço de margens e posição de caixa líquido, mesmo com leve recuo na receita consolidada. Saiba mais.
resultado da C&A 4T25 mostra avanço de margens e caixa líquido
Resultado da C&A no 4T25 combina expansão de margens, crescimento digital e redução da dívida. (Foto: Reprodução)

O resultado da C&A no 4° trimestre de 2025 (4T25), divulgado nesta quarta-feira (25/02), apontou avanço do lucro e melhora das margens em um período marcado por ajuste na receita consolidada. A companhia encerrou o período com posição de caixa líquido e redução expressiva da dívida bruta.

No quarto trimestre, a varejista combinou eficiência operacional, expansão da vertical de Beleza e crescimento do canal digital para sustentar a rentabilidade. A estratégia priorizou categorias com maior retorno e reforçou a gestão de estoques e a disciplina na estrutura de capital.

Margens avançam no quarto trimestre e sustentam o resultado da C&A

O avanço do desempenho veio principalmente da expansão de margens e do controle de despesas. Antes de detalhar os indicadores, vale destacar que o ganho ocorreu mesmo com pressão na receita total. Portanto, os resultados do quarto trimestre continuam bons índices apontados no trimestre anterior.

No quarto trimestre, os principais números foram:

  • Lucro líquido ajustado: R$ 269,8 milhões (+7,9%)
  • Lucro líquido (IFRS-16): R$ 313,2 milhões (+22,9%)
  • EBITDA ajustado: R$ 560,1 milhões
  • Margem EBITDA ajustada: 22,7%
  • Margem líquida ajustada: 10,9% (+1,1 p.p.)
  • Margem bruta de mercadorias: 56,2% (+1,5 p.p.)

Segundo a empresa, o resultado da C&A no trimestre foi atribuído, entre outros fatores, à diluição de despesas e à melhora no mix de produtos. O ganho em margem bruta, sobretudo em eletrônicos e beleza, ajudou a compensar a dinâmica mais moderada da receita consolidada.

Receita, digital e serviços financeiros no 4T25

Embora a receita líquida total do quarto trimestre tenha recuado, o vestuário registrou leve crescimento, indicando ajuste estratégico no portfólio. O ambiente competitivo do varejo de moda exigiu maior seletividade na oferta.

No balanço geral dos resultados da C&A no quarto trimestre, os indicadores de receita, canais de venda e qualidade da carteira financeira mostraram:

  • Receita líquida total: R$ 2,47 bilhões (-3,2%)
  • Receita de vestuário: R$ 2,35 bilhões (+0,6%)
  • Receita online: +17%
  • Receita de serviços financeiros: R$ 69,1 milhões (-28,7%)
  • Carteira C&A Pay até 360 dias: R$ 1,04 bilhão
  • Inadimplência acima de 90 dias (NPL): 13,1%

O crescimento do e-commerce reforçou a integração entre lojas físicas e digitais. Já a queda em serviços financeiros refletiu efeitos comparativos após o encerramento da parceria com a Bradescard. Segundo a administração, a C&A Pay segue em fase de consolidação e ajuste de carteira.

Caixa líquido fortalece o resultado da C&A no trimestre

Além da melhora operacional, o quarto trimestre foi marcado por desalavancagem. A empresa reduziu dívida bruta e terminou o período com posição líquida positiva, o que reduz exposição ao custo financeiro.

Por fim, no quarto trimestre, os indicadores ligados à estrutura de capital e à desalavancagem apontaram:

  • Caixa final: R$ 1,043 bilhão
  • Dívida bruta: R$ 959,7 milhões (-35,9%)
  • Dívida líquida: -R$ 83,7 milhões
  • Despesas financeiras: R$ 130,2 milhões (-15%)

Com menor alavancagem, a companhia melhora sua capacidade de investimento e reduz pressão sobre o resultado financeiro. O ROIC anual atingiu 21,8%, sinalizando avanço no retorno sobre capital investido.

Em um cenário de consumo ainda seletivo, o balanço da C&A no 4T25 indica ajuste estrutural em eficiência, geração de caixa e disciplina financeira. A combinação entre expansão de margens, integração digital e fortalecimento do balanço coloca o resultado da C&A como indicador relevante para acompanhar a dinâmica do varejo em 2026.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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