O lucro da B3 caiu 23% no quarto trimestre, para R$ 907,8 milhões, pressionado por efeitos contábeis ligados à atualização de impostos diferidos após aumento da CSLL. O resultado divulgado nesta quinta-feira (26) reflete um ajuste não recorrente que alterou a fotografia do período.
Ainda assim, o desempenho operacional seguiu em trajetória positiva. Em bases recorrentes, o ganho somou R$ 1,46 bilhão, alta de 25% ante o mesmo intervalo de 2024, enquanto a receita avançou 10,6%, para R$ 2,95 bilhões.
Lucro da B3 e o efeito contábil
O impacto veio da reprecificação de créditos tributários associados à amortização fiscal do ágio. Para a B3 o ajuste “acabou poluindo os resultados do quarto trimestre, que foram bem positivos” e indicou que o efeito não deve se repetir nos próximos períodos.
O Ebitda atingiu R$ 1,82 bilhão, crescimento de quase 15%, sinalizando expansão da margem operacional. Além disso, o volume financeiro médio diário no mercado à vista alcançou R$ 26,2 bilhões. O ocorreu um avanço de 20,4% frente ao terceiro trimestre, indicando maior atividade na renda variável.
Receita recorrente e diversificação de negócios
Ao longo de 2025, a B3 registrou receita de R$ 11,1 bilhões, alta de 5%. O lucro líquido recorrente anual chegou a R$ 5,3 bilhões, crescimento de 10%, mesmo com impacto contábil estimado em cerca de R$ 1 bilhão.
A divisão de renda fixa e crédito somou R$ 7,4 bilhões em receita, expansão de 3,1%. Já a área de derivativos apresentou leve retração anual. Em paralelo, o segmento de soluções analíticas de dados, reunido sob a marca Trillia, cresceu 10,3%, alcançando R$ 1,1 bilhão, reforçando a estratégia de diversificação.
Lucro da B3 e a agenda para 2026
A companhia lançou 12 novos índices e 19 produtos de derivativos em 2025, ampliando o portfólio do mercado de capitais. Para 2026, a B3 informou que o pipeline segue “robusto”, com testes em tokenização e projetos ligados a stablecoin.
Além disso, o esperado ciclo de cortes da Selic pode alterar o equilíbrio entre segmentos. A B3 avaliou que eventual desaceleração na renda fixa tende a ser compensada pelo avanço mais intenso da renda variável.
O desempenho recente mostra que o lucro do índice foi afetado por ajuste fiscal pontual, enquanto a base operacional segue sustentada por crescimento de receitas recorrentes e ampliação do portfólio. Em um ambiente de juros em transição, o lucro da B3 tende a refletir cada vez mais a dinâmica da atividade no mercado de capitais brasileiro.





