O Pix por aproximação completou um ano nesse sábado (28/02) com participação de apenas 0,01% do total de transferências realizadas em janeiro, segundo dados do Banco Central (BC). Apesar da proposta de acelerar pagamentos no varejo, a modalidade ainda representa fração mínima do sistema.
Em termos de valores, o cenário é semelhante. Dos R$ 2,69 trilhões movimentados via Pix em janeiro, apenas R$ 568,73 milhões passaram pela tecnologia de aproximação, o que equivale a 0,02% do total. No período, o sistema somou 6,33 bilhões de operações, das quais 1,057 milhão ocorreram por meio da função contactless.
Pix por aproximação avança, mas base ainda é pequena
A trajetória, contudo, indica expansão ao longo de 2025. Em julho, cinco meses após o lançamento, o recurso somava apenas 35,3 mil transações e R$ 95,1 mil movimentados. Já em novembro, ultrapassou pela primeira vez 1 milhão de operações.
Os valores movimentados por meio do Pix por aproximação também cresceram em ritmo acelerado. Saíram de R$ 1,103 milhão em agosto para R$ 24,205 milhões em novembro e alcançaram R$ 133,151 milhões em dezembro de 2025. Embora o percentual no sistema seja baixo, a curva revela avanço na infraestrutura de pagamentos e maior integração às carteiras digitais.
Para Gustavo Lino, diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), restrições de segurança e limites operacionais tornam a adesão mais lenta. “O potencial é grande, sobretudo quando a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso”, afirma.
Pagamento por aproximação enfrenta limites de segurança
O Banco Central definiu limite padrão de R$ 500 por operação quando o pagamento com pix por aproximação ocorre via Google Pay, carteira digital presente em mais de 80% dos celulares Android no país. A regra busca reduzir fraudes com uso indevido de maquininhas.
Quando a operação ocorre pelo aplicativo da instituição financeira, o cliente pode ajustar o teto por transação ou estabelecer limite diário. Ainda assim, segundo Lino, a consolidação depende da ampliação da experiência de pagamento no ponto de venda e no ambiente corporativo.
A tecnologia utiliza NFC (Near Field Communication), aproximando o Pix da dinâmica dos cartões contactless. Em vez de abrir o app, escanear QR Code e digitar senha, o usuário apenas encosta o celular na maquininha. Algo que, inclusive, também é utilizado pelos iPhones da Apple, mas na modalidade paga, o que gerou investigação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recentemente.
Pix por aproximação e o desafio da escala
O Pix por aproximação também passou a ser usado por bancos para oferecer o chamado Pix no crédito. Nesses casos, há cobrança de juros, o que exige atenção do consumidor. Além disso, em dezembro, o BC desistiu de regular o Pix Parcelado, mas autorizou ofertas com nomenclaturas similares.
No ambiente empresarial, a expectativa é que jornadas específicas ampliem o uso em transferências internas, segundo a Init. O avanço dependerá da combinação entre segurança digital, inovação financeira, adesão do comércio e educação do usuário. O primeiro ano do pagamento via Pix por aproximação mostra que a tecnologia ganhou tração, porém ainda busca escala relevante dentro do sistema de pagamentos instantâneos.





