A projeção do PIB indica que a economia brasileira deve encerrar 2025 com alta de 2,3%, segundo estimativas da XP Investimentos e do Itaú. O dado sugere um país que cresceu, mas sob o peso de juros a 15%, patamar que restringiu crédito, travou a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e esfriou a produção industrial.
No último trimestre, o avanço esperado é de apenas 0,1% frente ao período anterior e 1,8% na comparação anual. O número descreve uma atividade econômica praticamente estável no fim do ano. A leitura, contudo, muda quando se observa a composição do crescimento.
Serviços seguram o nível de atividade
O setor de serviços aparece como principal suporte do resultado. O Itaú projeta alta interanual de 2,1% no quarto trimestre, enquanto a XP estima 1,9%. Administração pública, serviços às famílias, além de informação e comunicação e serviços financeiros, ajudam a sustentar o desempenho.
Esse fôlego reflete um mercado de trabalho ainda aquecido, com preservação de renda e manutenção do consumo. Para além da superfície, porém, o retrato revela uma economia dependente do setor terciário.
Indústria sente o crédito caro
Na outra ponta, a indústria encerra o ano com expansão anual limitada a 0,8% no quarto trimestre. Na margem, a XP projeta retração de 0,5%. O aperto monetário, estoques elevados e gargalos nas cadeias de abastecimento atingiram a indústria de transformação e a construção civil.
A exceção veio da indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, que atenuou a perda de fôlego do agregado. Ainda assim, o contraste entre serviços e indústria reforça o efeito do custo financeiro sobre o investimento produtivo. A análise ganha outra dimensão quando se observa a ótica da demanda.
Consumo avança, investimento recua
O consumo das famílias acelerou de 0,4% para 1,6% na comparação anual do quarto trimestre, segundo o Itaú. A XP destaca que se trata do quarto avanço consecutivo na margem. Emprego elevado e renda sustentada explicam o resultado.
Em contrapartida, a FBCF deve ter recuado 1,4% no trimestre, de acordo com a XP. O Itaú calcula crescimento anual contido de 1,0%, afetado por uma base elevada no fim de 2024. O crédito caro permanece como variável central na decisão empresarial.
Projeção do PIB para 2026 dependerá do bolso do consumidor
A projeção do PIB para 2026 aponta alta de 2,0%, segundo a XP. O motor previsto não é a retomada do investimento, mas políticas de crédito, estímulos fiscais e efeitos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física.
A corretora estima que esses fatores adicionem 0,9 ponto percentual ao crescimento. O desenho sugere uma economia apoiada em transferências, subsídios e consumo. Se o investimento privado continuar contido, o país seguirá expandindo com base estreita e mais vulnerável a qualquer ajuste na renda ou no emprego.



