Dívida bruta do Governo em janeiro fica em 78,7% do PIB

A Dívida bruta do Governo ficou em 78,7% do PIB em janeiro, com estoque acima de R$ 10 trilhões. Juros acumulados superam R$ 1 trilhão em 12 meses e pressionam a trajetória fiscal. Saiba mais.
Dívida bruta do Governo em 78,7% do PIB segundo Banco Central
Estoque supera R$ 10 trilhões enquanto juros acumulam mais de R$ 1 trilhão em 12 meses. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A Dívida bruta do Governo permaneceu em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro, informou o Banco Central na sexta-feira (27/02). Em termos nominais, o estoque avançou de R$ 10,018 trilhões para R$ 10,080 trilhões.

Apesar da estabilidade na proporção do PIB frente a dezembro, o volume absoluto ultrapassa R$ 10 trilhões. O indicador reúne União, estados e municípios, exclui o Banco Central e empresas estatais e funciona como parâmetro para agências de classificação de risco avaliarem a solvência fiscal do País.

O patamar atual segue abaixo do pico de 87,6% do PIB registrado em dezembro de 2020, no contexto das medidas adotadas na pandemia. Ainda assim, está distante do menor nível da série histórica, de 51,5% do PIB em dezembro de 2013.

Dívida bruta do Governo em janeiro em comparação internacional

Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) passou de 93,3% do PIB em dezembro, dado revisado de 93,4% para 92,7% em janeiro. A diferença em relação ao conceito doméstico decorre de ajustes metodológicos aplicados pelo organismo internacional.

Além da dívida bruta, o Banco Central divulgou a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera as reservas internacionais. O indicador caiu de 65,3% para 65% do PIB, somando R$ 8,318 trilhões. Analistas acompanham essa métrica para medir a trajetória estrutural do endividamento público.

Leia também: Dívida Pública Federal sobe a R$ 8,641 tri em janeiro

Estoque da dívida pública e custo financeiro

O peso dos juros nominais continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a Dívida bruta do Governo. Em janeiro, mesmo com redução frente a dezembro, o resultado financeiro permaneceu negativo, refletindo o custo elevado de carregamento dos títulos públicos.

Em termos detalhados:

  • Resultado com juros em janeiro: déficit de R$ 63,627 bilhões
  • Resultado com juros em dezembro(2025) déficit de R$ 121,753 bilhões
  • Governo central: R$ 53,774 bilhões
  • Governos regionais: R$ 9,310 bilhões
  • Empresas estatais: R$ 543 milhões

No horizonte de 12 meses, a pressão é ainda mais expressiva:

  • Juros acumulados: R$ 1,031 trilhão
  • Percentual do PIB: 8,05%
  • Resultado nominal em 12 meses (2025): -R$ 1,008 trilhão

Trata-se, portanto, da primeira vez, desde o início da série histórica, que as despesas líquidas com juros superam R$ 1 trilhão no acumulado de 12 meses, o que reforça o desafio estrutural das contas públicas.

Perspectivas para a Dívida bruta do Governo além de janeiro

A trajetória da Dívida bruta do Governo para além de janeiro dependerá do desempenho do PIB, do resultado primário e do comportamento da eventual queda da taxa Selic. Fatores que, inclusive, influenciam a dívida soberana por meio do custo de rolagem dos títulos públicos.

Com estoque acima de R$ 10 trilhões e juros elevados, a Dívida bruta do Governo em janeiro segue como um dos principais termômetros das contas públicas federais e da política fiscal. Tudo em um cenário que exige equilíbrio entre crescimento econômico e controle do déficit nominal.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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