A Dívida bruta do Governo permaneceu em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro, informou o Banco Central na sexta-feira (27/02). Em termos nominais, o estoque avançou de R$ 10,018 trilhões para R$ 10,080 trilhões.
Apesar da estabilidade na proporção do PIB frente a dezembro, o volume absoluto ultrapassa R$ 10 trilhões. O indicador reúne União, estados e municípios, exclui o Banco Central e empresas estatais e funciona como parâmetro para agências de classificação de risco avaliarem a solvência fiscal do País.
O patamar atual segue abaixo do pico de 87,6% do PIB registrado em dezembro de 2020, no contexto das medidas adotadas na pandemia. Ainda assim, está distante do menor nível da série histórica, de 51,5% do PIB em dezembro de 2013.
Dívida bruta do Governo em janeiro em comparação internacional
Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) passou de 93,3% do PIB em dezembro, dado revisado de 93,4% para 92,7% em janeiro. A diferença em relação ao conceito doméstico decorre de ajustes metodológicos aplicados pelo organismo internacional.
Além da dívida bruta, o Banco Central divulgou a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera as reservas internacionais. O indicador caiu de 65,3% para 65% do PIB, somando R$ 8,318 trilhões. Analistas acompanham essa métrica para medir a trajetória estrutural do endividamento público.
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Estoque da dívida pública e custo financeiro
O peso dos juros nominais continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a Dívida bruta do Governo. Em janeiro, mesmo com redução frente a dezembro, o resultado financeiro permaneceu negativo, refletindo o custo elevado de carregamento dos títulos públicos.
Em termos detalhados:
- Resultado com juros em janeiro: déficit de R$ 63,627 bilhões
- Resultado com juros em dezembro(2025) déficit de R$ 121,753 bilhões
- Governo central: R$ 53,774 bilhões
- Governos regionais: R$ 9,310 bilhões
- Empresas estatais: R$ 543 milhões
No horizonte de 12 meses, a pressão é ainda mais expressiva:
- Juros acumulados: R$ 1,031 trilhão
- Percentual do PIB: 8,05%
- Resultado nominal em 12 meses (2025): -R$ 1,008 trilhão
Trata-se, portanto, da primeira vez, desde o início da série histórica, que as despesas líquidas com juros superam R$ 1 trilhão no acumulado de 12 meses, o que reforça o desafio estrutural das contas públicas.
Perspectivas para a Dívida bruta do Governo além de janeiro
A trajetória da Dívida bruta do Governo para além de janeiro dependerá do desempenho do PIB, do resultado primário e do comportamento da eventual queda da taxa Selic. Fatores que, inclusive, influenciam a dívida soberana por meio do custo de rolagem dos títulos públicos.
Com estoque acima de R$ 10 trilhões e juros elevados, a Dívida bruta do Governo em janeiro segue como um dos principais termômetros das contas públicas federais e da política fiscal. Tudo em um cenário que exige equilíbrio entre crescimento econômico e controle do déficit nominal.



