Rating da Azul é elevado pela S&P Global após fim da recuperação judicial

O rating da Azul foi elevado para brBBB- após saída do Chapter 11. Reestruturação reduziu US$ 2,5 bilhões em compromissos e trouxe American e United ao capital.
Imagem de um avião da AZUL para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Rating da Azul.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

O rating da Azul foi elevado para “brBBB-” pela S&P Global, com perspectiva estável, após a companhia concluir seu processo de Chapter 11 nos Estados Unidos. A revisão ocorre nove meses depois do início da reestruturação, iniciada em maio de 2025, e altera o enquadramento de crédito da empresa na Escala Nacional Brasil.

Segundo a agência, a decisão reflete uma estrutura de capital mais leve e expectativa de continuidade do desempenho operacional da Azul. A avaliação indica mudança no perfil de risco, após redução relevante do endividamento e reorganização do passivo.

Rating da Azul e a reclassificação de crédito

A elevação do rating da Azul ocorre após a redução de US$ 1,1 bilhão em empréstimos e financiamentos e corte de 40% nas obrigações de arrendamento. No total, a diminuição de compromissos financeiros alcançou cerca de US$ 2,5 bilhões.

Além disso, a companhia captou US$ 1,375 bilhão em Notas Seniors, US$ 950 milhões em equity e US$ 850 milhões em novos investimentos em ações. Como resultado, os pagamentos anuais de juros caíram mais de 50%, enquanto os custos recorrentes de leasing recuaram aproximadamente um terço.

A S&P afirmou que a perspectiva estável considera a manutenção de alavancagem controlada, melhora no perfil de endividamento e alongamento de prazos. Para o mercado de crédito corporativo, o novo patamar aproxima a empresa de uma faixa mais consistente de grau especulativo superior na escala nacional.

Nova estrutura de capital e reforço societário

Paralelamente ao ajuste financeiro, American Airlines e United Airlines passaram a deter, cada uma, 8% das ações da companhia, após aportes de US$ 100 milhões. A entrada ocorreu dias depois da conclusão formal do Chapter 11.

Embora as duas aéreas não tenham direito automático a assentos no conselho, conforme o plano aprovado pela Justiça dos EUA, tornam-se acionistas de referência. Essa composição amplia a interlocução estratégica e reforça a governança corporativa.

A Azul mantém acordo de codeshare com a United há mais de 12 anos. Agora, prevê modelo semelhante com a American Airlines, sujeito à aprovação do Cade. O CEO John Rodgerson afirmou que o desenho comercial pode seguir parâmetros próximos ao acordo já existente, dependendo da análise regulatória.

Rating da Azul no contexto do setor aéreo

No ambiente de aviação comercial, marcado por câmbio volátil, pressão sobre margens operacionais e custos elevados de combustível, a revisão do rating da Azul sinaliza reorganização estrutural. A combinação entre reforço de capital e redução de passivos altera a leitura sobre liquidez e solvência.

Além disso, a presença de duas gigantes globais no capital amplia o acesso a rotas internacionais e fortalece a malha de conexões. Para analistas, qualquer avanço no acordo comercial dependerá do aval do órgão antitruste brasileiro.

Ao final, o rating da Azul passa a refletir não apenas ajuste contábil, mas um redesenho financeiro que reposiciona a companhia diante de investidores e do mercado aéreo internacional. A sustentabilidade desse novo enquadramento dependerá da execução operacional e do cenário macroeconômico.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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