Recuperação judicial do Grupo Dia entra em nova fase após prejuízo ligado ao Banco Master

A recuperação judicial do Grupo Dia entra em nova fase após a empresa pedir à Justiça de São Paulo o encerramento antecipado do processo iniciado em 2024. A rede afirma ter cumprido obrigações do plano de mais de R$ 1 bilhão, enquanto lida com prejuízo de R$ 166,6 milhões ligado ao Banco Master. Saiba mais.
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Rede Dia pede encerramento antecipado da recuperação judicial enquanto lida com prejuízo ligado ao Banco Master. (Foto; Divulgação/Dia)

A recuperação judicial do Grupo Dia entrou em uma nova etapa após a rede de supermercados pedir à Justiça de São Paulo o encerramento antecipado do processo iniciado em março de 2024. A empresa afirma ter cumprido as obrigações previstas no plano dentro do período legal de fiscalização, que é de dois anos.

Inclusive, o pedido ocorre em meio a um episódio recente que pressionou as finanças da companhia. A rede reconheceu um prejuízo de R$ 166,6 milhões relacionado a recursos aplicados em um CDB do LetsBank, instituição ligada ao conglomerado Banco Master.

Recuperação judicial do Grupo Dia e pedido de encerramento

Segundo relatório da administradora judicial Expertisemais, divulgado na última segunda-feira (09/03), a empresa informou que quitou os débitos com credores elegíveis para pagamento até outubro deste ano. Desde que, inclusive, tenham apresentado os dados bancários necessários. A recuperação judicial do Grupo Dia envolve dívidas superiores a R$ 1 bilhão.

De acordo com o documento, a maior parte dos credores que permanece sem receber possui vencimentos previstos entre outubro de 2026 e novembro de 2027. Portanto, prazos posteriores ao período de fiscalização do processo. Com esse argumento, a empresa sustenta que o plano de recuperação judicial do Grupo Dia já cumpriu o objetivo de renegociar as dívidas. Inclusive, com vencimento dentro do biênio legal.

Análise da Justiça sobre a recuperação judicial do

O pedido está em análise na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O juiz responsável solicitou manifestação de credores que receberam propostas de readequação de crédito, além do Ministério Público e da administradora judicial.

Na prática, o juiz vai analisar se a empresa cumpriu as obrigações previstas no plano de recuperação judicial apresentado em 2024 e se respeitou as cláusulas estabelecidas. Caso confirme essas condições, ele poderá encerrar a recuperação judicial do Grupo Dia mesmo com parcelas previstas para pagamento nos próximos anos.

Desempenho financeiro e operação das lojas

Relatórios recentes também indicam desafios operacionais enfrentados pela rede durante a recuperação judicial do Grupo Dia. Em janeiro, o faturamento da companhia alcançou R$ 139,6 milhões, queda de 10% frente a dezembro, mas avanço de 7% na comparação com o mesmo mês de 2025.

No período, a empresa consumiu R$ 3,5 milhões em caixa, reduzindo em 54% as disponibilidades frente ao mês anterior. As antecipações de recebíveis de cartão de crédito somaram R$ 42 milhões, recuo de 30%, prática frequentemente utilizada para reforçar o capital de giro.

Durante visitas a 13 lojas, a administradora judicial identificou baixo abastecimento de hortifruti, desorganização em corredores e ausência de produtos nas prateleiras, além de unidades com necessidade de manutenção e reforço de segurança. Segundo a empresa, a alta rotatividade de funcionários contribui para essas falhas.

Próximos passos da recuperação judicial do Grupo Dia

Enquanto aguarda a decisão da Justiça, o desfecho da recuperação judicial do Grupo Dia passou a concentrar a atenção sobre a capacidade da rede de estabilizar suas finanças, além de normalizar a relações comerciais.

Ao mesmo tempo, episódios recentes, como o prejuízo ligado à liquidação do LetsBank, reforçam o ambiente de pressão financeira enfrentado pela companhia nos últimos meses. Nesse contexto, a decisão sobre a recuperação judicial do Grupo Dia poderá definir se a rede conseguirá encerrar o processo de reestruturação e avançar para uma nova fase.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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