A liquidação do Banco Master ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (18), quando o Banco Central do Brasil decretou o encerramento do Banco Pleno e da Pleno DTVM. Com a decisão, o número de instituições atingidas chegou a oito dentro do conglomerado ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A medida amplia o desmonte iniciado em novembro de 2025, quando a autoridade monetária passou a intervir no grupo após apontar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio ao sistema, segundo o próprio BC. Desde então, a ofensiva regulatória tem ocorrido em etapas.
Liquidação do Banco Master: quais são as oito instituições
Na primeira fase, em novembro, o Banco Central liquidou o Banco Master S/A, o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank (que operava como BlueBank) e a corretora do conglomerado. Essas empresas concentravam a maior parte das operações de captação de recursos, emissão de CDBs e intermediação financeira.
Em janeiro de 2026, o Banco Central ampliou a intervenção para a CBSF DTVM, antiga Reag Investimentos. O próprio BC apontou a instituição como parte de uma estrutura usada para ocultar prejuízos. Poucos dias depois, em 21 de janeiro, a autoridade monetária decretou a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo. A decisão ocorreu após a Mastercard bloquear as operações com cartões e fracassar uma tentativa de venda da instituição.
A nova etapa inclui o Banco Pleno e a Pleno DTVM, adquiridos no segundo semestre do ano passado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Lima deixou a sociedade no Master em 2025, assumiu o controle do antigo Voiter, rebatizado como Pleno, e realizou aportes que somaram R$ 160 milhões.
Efeito em depósitos e cobertura do fundo garantidor
O Banco Pleno herdou cerca de R$ 6 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) do Master e buscava formar uma carteira de crédito própria. No entanto, segundo informações do processo, não conseguiu estruturar uma frente consistente de funding nem vender ativos em volume suficiente, o que comprometeu sua capacidade de honrar compromissos.
Com a liquidação do Banco Master e das demais empresas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para ressarcir investidores em produtos como CDBs, LCIs e LCAs. A cobertura alcança até R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão. O caso levou à reserva de aproximadamente R$ 41 bilhões, o maior acionamento já registrado pelo fundo.
Liquidação do Banco Master e o desmonte regulatório
Paralelamente, o Grupo Fictor tentou adquirir o Master com promessa de aporte de R$ 3 bilhões. A empresa entrou em recuperação judicial com dívidas declaradas de R$ 4,2 bilhões. A empresa afirma que a proposta de compra desencadeou resgates de clientes e gerou crise de liquidez. A Justiça determinou bloqueios de R$ 150 milhões e, posteriormente, de R$ 500 mil em contratos específicos.
Ao consolidar oito liquidações em menos de quatro meses, a liquidação do Banco Master se tornou um dos episódios mais amplos de intervenção recente no sistema financeiro brasileiro. O alcance das medidas revela a extensão das conexões societárias e operacionais do grupo. Além disso, o caso reforça o papel do Banco Central do Brasil na preservação da estabilidade bancária.



