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Governo cria taxa sobre exportação de petróleo para financiar subsídio ao diesel

O imposto de exportação de petróleo integra o pacote do governo para conter a pressão sobre o diesel. A medida acompanha a zeragem de PIS/Cofins e subvenção ao combustível, com custo estimado em R$ 30 bilhões e expectativa de compensação fiscal via nova tributação. Saiba mais.
Foto de Lula em definição do imposto de exportação de petróleo anunciado pelo governo federal
Governo federal anuncia pacote com imposto de exportação de petróleo e subvenção para reduzir pressão sobre o diesel. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A implantação de uma taxa de exportação de petróleo passou a integrar a estratégia econômica do governo federal para reduzir a pressão sobre o preço do diesel no Brasil. Nesta quinta-feira (12/03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote que combina renúncia tributária, subvenção ao combustível e nova taxação de 12% sobre vendas externas de petróleo.

O presidente Lula apresentou a iniciativa em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Segundo o governo, o objetivo é amortecer os efeitos da alta do petróleo Brent, que chegou a cerca de US$ 100 por barril, pressionado por tensões geopolíticas no exterior.

Taxa sobre exportação de petróleo financia pacote do diesel

O pacote prevê a zeragem das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel. Ao mesmo tempo, o governo decidiu instituir uma taxa de exportação de petróleo de 12%, que deverá financiar parte das medidas. Nesta semana, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chegou a pedir corte de tributos sobre diesel para reduzir gastos do agronegócio.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o conjunto de iniciativas terá custo estimado em R$ 30 bilhões para os cofres públicos. Desse total, cerca de R$ 20 bilhões referem-se à renúncia tributária com PIS e Cofins, enquanto aproximadamente R$ 10 bilhões financiarão a subvenção ao diesel.

De acordo com Haddad, a arrecadação gerada pelo novo tributo deve compensar integralmente essa despesa. “A expectativa é de que esse montante seja totalmente compensado pelo imposto de 12% sobre exportações de petróleo”, afirmou o ministro durante entrevista coletiva.

Taxa busca ampliar refino nas refinarias brasileiras

Além do objetivo fiscal, o governo pretende usar a taxa sobre exportação de petróleo como instrumento de política industrial para o setor de energia.

Haddad e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmaram que a cobrança busca incentivar o processamento do óleo bruto dentro do país. Segundo o ministro da Fazenda, atualmente existem refinarias nacionais operando com até 50% de capacidade ociosa, cenário que abre espaço para ampliar a produção interna de derivados de petróleo, como diesel e gasolina.

Nesse contexto, o governo pretende direcionar parte do petróleo produzido no Brasil ao refino nacional, em vez de enviá-lo diretamente ao mercado externo.

Imposto de exportação de petróleo também busca ampliar refino no Brasil

A estratégia também inclui a criação de um programa de subvenção ao diesel. Lula instituiu a medida por meio de medida provisória, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai operacionalizar o programa.

Além disso, o mecanismo prevê repasses a produtores e importadores de diesel, mas condiciona o benefício à comprovação de que o desconto foi efetivamente transferido ao consumidor final.

Ao justificar o pacote, Lula citou a escalada recente dos preços internacionais do petróleo. “Vocês estão vendo que o preço do petróleo está fugindo do controle em quase todos os países do mundo”, afirmou o presidente.

No diagnóstico do governo, o imposto de exportação de petróleo, combinado com desoneração tributária e subvenção temporária, busca reduzir a pressão imediata sobre o diesel. Isso, enquanto o mercado internacional permanece influenciado por tensões geopolíticas e pela volatilidade do mercado global de energia.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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