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Acordo entre TikTok e EUA inclui taxa de US$ 10 bilhões exigida por Trump

O acordo entre TikTok e EUA estabelece taxa de até US$ 10 bilhões ao Tesouro americano e reorganiza a operação da plataforma com novos investidores e menor participação da ByteDance. Saiba mais.
Smartphone com logotipo do TikTok sobre mesa ao lado de documentos e bandeira dos Estados Unidos.
Disputa regulatória nos Estados Unidos levou à criação de uma nova estrutura societária para a operação americana do TikTok. (Foto: Ilustrativa)

O acordo entre TikTok e EUA revelou uma cobrança de até US$ 10 bilhões ao Tesouro americano, valor associado à negociação que reorganiza o controle da plataforma chinesa no país. A taxa será paga pelos investidores que assumiram participação na nova empresa criada para operar o aplicativo no mercado americano.

O arranjo empresarial busca encerrar anos de disputa regulatória envolvendo a presença do aplicativo de vídeos curtos nos Estados Unidos. Autoridades americanas questionavam a ligação da plataforma com a empresa chinesa ByteDance, citando preocupações relacionadas à segurança nacional e ao uso de dados de usuários.

Estrutura do acordo entre TikTok e EUA

De acordo com pessoas informadas sobre a negociação, os investidores já transferiram cerca de US$ 2,5 bilhões ao Tesouro quando a operação foi concluída em janeiro. O restante, aproximadamente US$ 7,5 bilhões, deverá ser quitado em pagamentos adicionais ao longo das próximas etapas do acordo.

O vice-presidente J.D. Vance liderou pela Casa Branca as negociações do acordo entre TikTok e EUA. Em declarações públicas, o presidente Donald Trump afirmou que o governo americano receberia uma compensação financeira pela articulação do negócio. “Eu chamo de taxa extra só por fazer o negócio”, declarou.

Segundo Vance, a estrutura da transação atribui ao novo TikTok americano um valor de cerca de US$ 14 bilhões. O que, portanto, indica que a cobrança representa aproximadamente 70% da avaliação da companhia que, na data do anúncio, seria conhecida como TikTok USDS Joint Venture LLC.

Nova estrutura societária da plataforma

Como parte da reorganização corporativa no acordo entre TikTok e EUA, a ByteDance separou sua operação nos Estados Unidos em uma nova empresa. Após a reestruturação societária, a participação da companhia chinesa ficará abaixo de 20% do capital.

Entre os principais investidores estão a empresa de tecnologia Oracle, a firma de investimentos MGX, dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo Silver Lake. Cada um desses grupos deve deter aproximadamente 15% da nova companhia.

Outros participantes incluem a entidade de investimentos pessoais do bilionário Michael Dell, além de uma afiliada da empresa global de trading Susquehanna. Ampliando, assim, o grupo de capital internacional envolvido na operação.

Repercussões do acordo entre TikTok e EUA

Especialistas em governança tecnológica avaliam que a negociação estabelece um precedente incomum sobre o papel do governo em acordos empresariais ligados ao setor digital. A própria plataforma, inclusive, fechou um acordo com o poder judiciário envolvendo vício em redes sociais.

Aaron Bartnick, ex-diretor assistente da Casa Branca para segurança tecnológica durante o governo Joe Biden, afirmou que a cobrança pode não ter precedentes. Segundo ele, o valor de US$ 10 bilhões seria “absurdamente alto”.

Nos últimos meses, a atual administração ampliou sua atuação em negociações corporativas relacionadas à indústria tecnológica. O governo adquiriu 10% da Intel e exigiu uma chamada “Ação de Ouro” em um acordo envolvendo a venda da U.S. Steel para a japonesa Nippon Steel.

Nesse contexto, o acordo entre TikTok e EUA sinaliza uma estratégia mais ampla de Washington para influenciar estruturas societárias de empresas consideradas sensíveis para tecnologia, dados digitais e segurança nacional, redesenhando a relação entre Estado e grandes plataformas no mercado global.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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