O preço do diesel da Petrobras passou por reajuste e já entrou em vigor neste sábado (14/03). A estatal elevou em R$ 0,38 por litro o valor do combustível vendido às distribuidoras, levando o preço médio do diesel A nas refinarias para R$ 3,65 por litro, segundo comunicado da companhia divulgado na sexta-feira (13).
Com o reajuste anunciado, a participação da Petrobras na formação do diesel B, combustível vendido ao consumidor final após a mistura obrigatória com biocombustível, ficou em média de R$ 3,10 por litro. A companhia informou que parte da pressão sobre os preços decorre do recente avanço do petróleo no mercado internacional.
Preço do diesel Petrobras e impacto das medidas do governo
Porém, apesar da elevação anunciada pela estatal, o governo federal adotou medidas fiscais para conter a escalada do combustível no país. Na última quinta-feira (12/03), o Executivo decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel.
De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, a medida representa uma redução potencial de R$ 0,32 por litro no preço do combustível. Além disso, uma Medida Provisória autorizou subvenção econômica para importadores e produtores, que pode alcançar outros R$ 0,32 por litro, desde que o desconto sobre o preço do diesel da Petrobras seja repassado ao mercado.
Se aplicadas integralmente, as duas iniciativas representam um alívio de até R$ 0,64 por litro ao longo da cadeia de preços. Amenizando, assim, parte da pressão sobre o mercado de combustíveis, a logística de transporte e os custos de setores intensivos em diesel.
Petróleo internacional pressiona combustível no Brasil
A escalada recente do petróleo ajuda a explicar o reajuste no preço do diesel da Petrobras. Nas últimas duas semanas, o contrato futuro do Brent, referência global da commodity, saltou de cerca de US$ 70 para próximo de US$ 100 por barril, avanço aproximado de 40%.
O aumento ocorre em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Um dos focos de tensão é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Eventuais restrições de fluxo na região elevam o risco de redução da oferta global.
Esse cenário internacional influencia diretamente a formação de preços de combustíveis, já que o petróleo funciona como referência para o diesel refinado. Além do custo de importação e da dinâmica do abastecimento energético.
Reajuste do preço do diesel Petrobras abre debate sobre estrutura do mercado
O reajuste também reabriu discussões sobre a estrutura do mercado brasileiro de combustíveis. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que o aumento expõe limitações do sistema de abastecimento no país.
Segundo a entidade, a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora em 2019 reduziram a integração da cadeia energética nacional. Além disso, em nota, a FUP defendeu maior presença da Petrobras em refino, distribuição e comercialização.
A entidade argumenta que uma estatal mais integrada poderia ampliar a segurança do abastecimento, reduzir a exposição às oscilações externas e contribuir para maior estabilidade na formação de preços no mercado doméstico. Nesse cenário, o preço do diesel Petrobras permanece no centro do debate sobre política energética e custos logísticos no Brasil.





