O preço do diesel entrou em nova fase de pressão neste sábado (14) após a Petrobras aplicar reajuste nas refinarias, em meio à escalada do petróleo no mercado internacional. A estatal elevou em R$ 0,38 por litro o valor do diesel A vendido às distribuidoras, movimento que altera o custo do combustível em toda a cadeia energética brasileira.
Na prática, considerando a mistura obrigatória que forma o combustível vendido nos postos, o aumento corresponde a cerca de R$ 0,32 por litro no diesel B. Com o ajuste, o valor médio do diesel A da Petrobras passa para R$ 3,65 por litro, enquanto a participação da companhia no preço final do combustível vendido ao consumidor gira em torno de R$ 3,10. Ainda assim, o cenário esconde uma tensão estrutural maior entre preços domésticos e o mercado global de energia.
Essa distância ficou evidente nos cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Segundo a entidade, o combustível vendido pela estatal estava cerca de 72% abaixo da paridade de importação, diferença equivalente a R$ 2,34 por litro. A pressão surgiu após o petróleo Brent saltar de aproximadamente US$ 70 para perto de US$ 100 por barril em poucas semanas.
Petróleo caro pressiona cadeia energética
O avanço da commodity internacional alterou o equilíbrio da cadeia de combustíveis, que inclui refino, distribuição, logística de derivados e importação de diesel. Quando a diferença entre preços domésticos e externos cresce, importadores reduzem oferta e a Petrobras passa a concentrar maior responsabilidade pelo abastecimento.
Mesmo assim, a companhia afirma que sua política busca evitar o repasse imediato da volatilidade internacional ao mercado interno. A estratégia tenta equilibrar paridade internacional, segurança energética e estabilidade de preços no país. Contudo, o ajuste recente indica que a defasagem já pressionava o sistema.
Para reduzir o impacto imediato ao consumidor, o governo federal decidiu zerar a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel. Segundo a Petrobras, sem a medida tributária o repasse poderia chegar a cerca de R$ 0,70 por litro, praticamente o dobro do reajuste efetivo. A relação entre política fiscal e energia, portanto, tornou-se parte central da equação.
Gasolina também já mostra sinais de alta
Os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que os combustíveis já começaram a subir antes mesmo do reajuste nas refinarias. Na última semana, o preço médio da gasolina nos postos avançou 2,54%, alcançando R$ 6,46 por litro, ante R$ 6,30 no período anterior.
O comportamento dos preços revela como o mercado doméstico reage antecipadamente às mudanças na cotação internacional do petróleo, nos custos de refino e nas expectativas de reajuste. A percepção de oferta e risco logístico costuma antecipar o repasse antes mesmo das decisões formais das refinarias.
No curto prazo, porém, o preço do diesel continua sujeito a novos ajustes. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que novas decisões podem ocorrer a qualquer momento, dependendo da dinâmica do petróleo global. Se o Brent permanecer próximo ou acima de US$ 100, a política de preços da estatal deverá enfrentar o desafio de equilibrar custo internacional, inflação doméstica e segurança no abastecimento energético, um triângulo que tende a definir os próximos capítulos do mercado de combustíveis no Brasil.





