Mercado de cosméticos online cresce forte e revela mudança no varejo

O mercado de cosméticos online cresceu 44% no Brasil e atingiu R$ 791 milhões no e-commerce. O avanço reflete a expansão do modelo direto ao consumidor e a entrada de novas marcas digitais no setor de beleza.
Mercado de cosméticos online no e-commerce brasileiro
Crescimento do mercado de cosméticos online reflete avanço do modelo direto ao consumidor. Imagem: Canva

O mercado de cosméticos online acelerou no Brasil e registrou expansão de 44% no e-commerce em 2025, alcançando faturamento de R$ 791 milhões. O dado surge em levantamento da Nuvemshop e posiciona o setor de saúde e beleza entre os segmentos que mais avançam no comércio digital nacional.

O crescimento supera a média geral do varejo eletrônico e ocorre em um ambiente de maior adesão ao consumo digital. Dentro desse cenário, a categoria passa a disputar espaço com setores tradicionais do e-commerce, como moda, que lidera o ranking com R$ 2,9 bilhões em vendas. O avanço, contudo, revela uma mudança estrutural na forma como marcas de beleza chegam ao consumidor. Ao mesmo tempo, o dado abre espaço para entender o mecanismo por trás da expansão do setor.

Modelo direto ao consumidor acelera o mercado de cosméticos online

A expansão do mercado de cosméticos online acompanha o avanço do modelo direct to consumer (D2C), no qual marcas vendem diretamente ao cliente final.

Nesse formato, empresas ampliam margem e controlam melhor a experiência do consumidor. Além disso, ganham autonomia para definir posicionamento de marca, testar produtos e construir relacionamento direto com a base de clientes. Para além da estratégia comercial, o cenário também reflete transformações estruturais no setor de beleza global.

Brasil avança no ranking global de cosméticos

O avanço do mercado de cosméticos online ocorre em paralelo ao fortalecimento da indústria de beleza no país. Em 2025, o Brasil tornou-se o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, segundo dados da Euromonitor International.

O crescimento também acompanha novas demandas do consumidor. Produtos veganos, itens cruelty-free, marcas com preços mais acessíveis e a expansão da beleza masculina aparecem entre as principais tendências do setor.

A expectativa do mercado é de expansão média anual próxima de 8% até 2030, ritmo sustentado pela digitalização do varejo e pela entrada de novas marcas independentes. Contudo, a evolução do setor não ocorre apenas na demanda. A própria estrutura de operação das lojas virtuais também começa a mudar.

Produção própria ganha espaço enquanto dropshipping perde força

O estudo da Nuvemshop aponta uma reorganização dos modelos de negócio dentro do e-commerce. Revenda e fabricação própria permanecem predominantes entre os lojistas digitais.

Em contrapartida, o dropshipping registrou retração de 28% em 2025. O levantamento relaciona essa queda à taxação de compras internacionais, à valorização do dólar e ao aumento do custo de aquisição de clientes.

Entre empresas em expansão, com faturamento mensal acima de R$ 20 mil, a fabricação própria surge com maior presença. Nesse estágio, produzir o próprio item passa a funcionar como estratégia de diferenciação e construção de marca.

O que a expansão do mercado de cosméticos online revela

A expansão do mercado de cosméticos online indica uma fase de maturidade no comércio digital brasileiro. Em vez de depender apenas de intermediação ou importação, marcas passam a investir em identidade própria, controle da cadeia de valor e proximidade com o consumidor.

Esse deslocamento reposiciona o setor de beleza dentro do e-commerce nacional. Se a tendência se mantiver, o ambiente digital tende a se consolidar como principal campo de experimentação e crescimento para novas marcas de cosméticos no Brasil.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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