Preço do ouro recua e expõe nova disputa entre dólar e juros dos EUA

Preço do ouro cai pela terceira sessão seguida enquanto investidores revisam cortes de juros do Fed. Dólar forte e expectativas de inflação global passam a disputar com o metal o papel de proteção em meio à guerra no Oriente Médio.
Preço do ouro em queda no mercado internacional
Cotação do ouro recua enquanto mercado revisa expectativas de juros do Fed e acompanha guerra no Oriente Médio. Imagem: Canva

O preço do ouro caiu pela terceira sessão consecutiva e revelou uma mudança relevante na leitura dos investidores globais. Mesmo com a escalada militar no Oriente Médio, o metal perdeu força após o mercado revisar as apostas sobre os juros nos Estados Unidos.

Na divisão de metais da bolsa de Nova York, a Comex, o contrato para abril recuou 1,25%, encerrando a US$ 5.061,70 por onça-troy. A prata também acompanhou a pressão e caiu 4,43%, para US$ 81,343. No acumulado da semana, as perdas chegaram a 1,92% no metal precioso e 3,5% na prata. A sequência de quedas indica que a disputa entre juros americanos, dólar forte e ativos de proteção voltou ao centro das decisões financeiras. Contudo, um fator monetário começou a pesar ainda mais na formação desse preço.

Juros dos EUA reconfiguram o preço do ouro

A revisão das apostas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed) reduziu o apelo do ouro como reserva de valor. Investidores passaram a enxergar um ritmo mais lento de flexibilização monetária, após novos indicadores da economia americana.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado agora distribui as probabilidades de cortes de juros apenas entre setembro e outubro. Esse deslocamento altera a lógica de portfólio: quanto mais tempo os rendimentos dos títulos americanos permanecem elevados, menor tende a ser a atratividade do ouro internacional. Ainda assim, o cenário global não se resume ao debate monetário.

Guerra e inflação ampliam incerteza no mercado

A escalada militar envolvendo Estados Unidos e Irã adicionou uma camada adicional de tensão ao cenário econômico. O presidente Donald Trump afirmou que a guerra terminará quando ele decidir que deve acabar e declarou que Washington está “dizimando” o país persa. Já o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, indicou que os Estados Unidos devem realizar o maior bombardeio contra Teerã.

De acordo com análise do Swissquote Bank, o conflito e o impasse tarifário ampliam as expectativas de inflação global. O avanço dos preços do petróleo entra nesse cálculo e reforça a cautela do mercado sobre o ritmo da política monetária americana. Para além da escalada militar, contudo, um movimento cambial ajuda a explicar a queda do metal.

Dólar forte cria nova pressão sobre o metal precioso

O ANZ Research avalia que o fortalecimento do dólar passou a competir diretamente com o ouro na busca por proteção financeira. A moeda americana ganhou impulso justamente por seu papel de porto seguro em momentos de turbulência.

Além disso, a alta do petróleo beneficia a economia americana, já que os Estados Unidos são hoje um exportador líquido de energia. Esse detalhe macroeconômico ajuda a sustentar o dólar e reduz parte da demanda pelo ativo de refúgio tradicional, pressionando a cotação do ouro.

No cenário atual, o preço do ouro passa a refletir uma equação mais complexa: conflitos geopolíticos continuam gerando risco global, mas juros elevados e um dólar fortalecido alteram o equilíbrio entre os ativos de proteção. Se essa combinação persistir, o metal pode enfrentar um período prolongado de disputa direta com a moeda americana pelo papel de abrigo financeiro global.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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