A reestruturação dos Correios entrou em nova fase nesta terça-feira (24/03) com a adoção gradual da jornada 12×36, modelo que reorganiza a rotina dos trabalhadores e abre espaço para ampliar entregas aos fins de semana.
A medida surge em um momento de pressão crescente sobre a operação. Com o avanço do comércio eletrônico e a exigência por prazos mais curtos, a estatal tenta ajustar sua estrutura para responder a um mercado que já opera com entregas contínuas.
Reestruturação dos Correios tenta ocupar lacuna nos fins de semana
A nova escala prevê 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso e será aplicada de forma voluntária, em áreas específicas. A mudança permite redistribuir a força de trabalho ao longo da semana, reforçando a presença em períodos de maior demanda.
Segundo os Correios, a implementação dentro da reestruturação ocorrerá conforme a necessidade do serviço, com reorganização de turnos e equipes. A empresa afirma que o modelo amplia a capacidade operacional e aproxima a operação do ritmo real das encomendas.
Esse ajuste busca reduzir uma diferença histórica. Enquanto concorrentes privados, como o Mercado Livre, já operam com entregas aos sábados e domingos, a estatal ainda enfrenta limitações para sustentar esse padrão de forma consistente. Segundo funcionários consultados, sempre existiu uma escala rotatória para trabalhos aos sábados, que varia de unidade para unidade, embora não aos domingos.
Nova jornada mexe na conta e redesenha incentivos internos
A reestruturação dos Correios também atinge a estrutura de custos. Com menos dias de deslocamento, a empresa projeta redução nos gastos com vale-transporte, já que a média mensal pode cair de 22 para 14 dias trabalhados.
Por outro lado, benefícios como vale alimentação e refeição permanecem inalterados. A principal mudança recai sobre o adicional de 15% pago a quem atua aos sábados, que deixa de existir dentro do novo modelo.
O pagamento em domingos e feriados segue com bônus de 200%, o que mantém um estímulo financeiro em períodos críticos. O redesenho indica uma tentativa de equilibrar economia de despesas, que cresce com a dívida dos Correios, com a manutenção de incentivos operacionais.
Reestruturação dos Correios se conecta a um ajuste mais amplo
A reestruturação dos Correios não se limita à jornada. A estatal também tenta reorganizar sua presença digital com mudanças no Mais Correios, buscando ampliar o portfólio e melhorar a integração com o mercado.
Entre as frentes em análise está a inclusão de serviços financeiros, estratégia associada ao modelo de concorrentes que operam com soluções integradas. Ao mesmo tempo, a empresa avalia simplificar o plano de cargos e salários, hoje visto como pouco flexível para realocação de equipes.
Esse conjunto de mudanças ocorre sob pressão de desempenho. A meta de 96% de entregas no prazo ainda está distante, com média nacional em torno de 80%. Nesse contexto, a reestruturação dos Correios deixa de ser apenas um ajuste interno e passa a representar uma tentativa de adaptação a um setor orientado por escala, velocidade e eficiência logística.





