As ações do Mercado Livre recuaram cerca de 10% na tarde desta quarta-feira (25/02) após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025, que mostrou avanço robusto de receita, mas compressão de margens. O mercado reagiu à rentabilidade abaixo das estimativas, mesmo com crescimento acima do consenso.
Na Nasdaq, os papéis caíam perto de 9,8%, enquanto o BDR MELI34 recuava 8,39%, a R$ 75,38, por volta das 15h20. Com isso, a companhia avaliada em cerca de US$ 89 bilhões acumula queda próxima de 20% em 12 meses.
Ações do Mercado Livre e o custo da expansão
De acordo com o balanço divulgado nessa terça-feira (24/02), a receita líquida avançou 45% na comparação anual, superando os 40% projetados por analistas. A unidade de fintech cresceu 51%, enquanto o e-commerce subiu 40%, com destaque para Brasil e México.
O GMV (volume bruto de mercadorias) no Brasil aumentou 35% no trimestre e 32% no consolidado de 2025, acima do crescimento estimado do mercado, em torno de 20%. Ainda assim, as ações do Mercado Livre sofreram pressão porque o opex ficou 5% acima do consenso.
A margem EBIT ajustada caiu para 9%, recuo de 4,5 pontos percentuais em um ano e abaixo dos 10,2% esperados. Segundo a companhia, investimentos em frete grátis, operações 1P, expansão cross-border e cartão de crédito reduziram a margem entre 5 e 6 pontos.
Papel da companhia reflete pressão nas margens
Apesar dos resultados, para o Itaú BBA, a estratégia de priorizar crescimento é adequada, mesmo com impacto no curto prazo. O banco destacou ganho de participação e avanço em retenção de usuários, frequência de compra e controle da inadimplência.
Além disso, o Bradesco BBI avaliou que os números reforçam a força estrutural do ecossistema digital, mas observou que o debate agora gira em torno do custo da expansão. Enquanto a XP apontou que dois terços da frustração no EBIT vieram de maiores provisões ligadas à carteira de crédito.
Ações do Mercado Livre diante do ciclo competitivo
Analistas citam ainda que aumentos de take rate por concorrentes, como a Shopee, podem indicar transição na fase mais intensa de investimentos. Nesse contexto, parte do mercado vê a queda como ajuste técnico.
As ações do Mercado Livre passam por teste relevante: manter crescimento acima do setor enquanto administra margens. Se o avanço operacional persistir, a atual correção pode redefinir o ponto de entrada para investidores atentos ao longo prazo.
Desempenho das ações da empresa
Com crescimento acelerado, mas rentabilidade comprimida, as ações do Mercado Livre expõem o dilema clássico entre expansão e lucro imediato. O desfecho, no entanto, dependerá da capacidade de transformar escala em geração consistente de caixa.





