O preço do petróleo fechou em queda nesta quarta-feira (25/03), à medida que investidores reagiram aos relatos de negociações por um cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Apesar do alívio nos mercados, o cenário segue incerto e ainda carrega riscos relevantes para o abastecimento global.
No mercado internacional, a queda refletiu uma reação direta às expectativas de avanço nas negociações diplomáticas, reduzindo parte da pressão recente sobre os preços da commodity.
Veja como fecharam os principais contratos:
- Brent (junho): recuou 2,96% (US$ 2,97), a US$ 97,26 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres
- WTI (maio): caiu 2,19% (US$ 2,03), a US$ 90,32 o barril, na New York Mercantile Exchange
Preço do petróleo hoje: mercado reage a possível acordo
A queda ocorreu após sinais de avanço nas negociações. O governo dos Estados Unidos indicou que Teerã demonstra interesse em um acordo, embora ainda não haja confirmação oficial por parte do Irã.
Um plano com 15 pontos elaborado por Washington busca encerrar o conflito. Informações divulgadas pela imprensa israelense apontam que os EUA defendem um cessar-fogo de até 30 dias como primeiro passo para reduzir as tensões. Esse movimento reduziu parte do prêmio de risco que vinha sustentando os preços elevados do petróleo nos últimos dias.
Estreito de Ormuz mantém pressão
Apesar do recuo nas cotações, o principal foco de preocupação permanece. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo do Oriente Médio, segue, na prática, fechado para navios, o que mantém o risco elevado para o fluxo global da commodity.
“O petróleo bruto continua sendo guiado por manchetes”, disse Rebecca Babin, trader sênior de energia no CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg. Segundo ela, a possibilidade de um cessar-fogo temporário reduz os cenários mais extremos, mas não elimina as incertezas no mercado.
Irã rejeita proposta e tensão continua
O Irã rejeitou publicamente a proposta apresentada pelos Estados Unidos e divulgou uma contraproposta. O governo iraniano afirmou que qualquer cessar-fogo ocorrerá apenas em seus próprios termos.
Autoridades classificaram as condições propostas por Washington como excessivas e dissociadas da realidade no campo de batalha. Um líder militar iraniano chegou a ironizar o acordo.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou a intensificação das ações contra a indústria armamentista iraniana até os próximos dias, segundo o The New York Times.
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Risco de oferta preocupa países
As preocupações com o abastecimento seguem crescendo em diferentes regiões. O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que entre 30% e 40% da capacidade de refino no Golfo foi danificada ou destruída, o que já configura uma crise de petróleo em alguns países, especialmente na Ásia.
Diante desse cenário, alguns países asiáticos já anunciaram medidas para conter o avanço dos preços dos derivados, segundo informações da Bloomberg.
Próximos passos do conflito
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir para discutir a proposta de acordo nos próximos dias, segundo a Axios. O desfecho dessas negociações será determinante para o comportamento do mercado no curto prazo.
Mesmo com a queda registrada hoje, o mercado segue sensível a novos desdobramentos. Um avanço diplomático pode aliviar os preços rapidamente, mas uma escalada do conflito ou a manutenção das restrições no Estreito de Ormuz pode reverter esse movimento com a mesma velocidade.





