O prejuízo das Americanas diminuiu para R$ 44 milhões no último trimestre, conforme anunciado na quarta-feira (25), sinalizando uma mudança em relação à perda de R$ 586 milhões registrada um ano antes. Ainda assim, o resultado ocorre em meio a ajustes estruturais que alteram a dinâmica operacional da companhia.
Apesar da redução do prejuízo, a receita líquida recuou 3,8%, para R$ 3,69 bilhões. Ao mesmo tempo, o EBITDA ajustado avançou 1,9%, somando R$ 276 milhões, sinalizando ganho de eficiência em um cenário de reestruturação.
Reestruturação operacional e pressão na receita
A melhora no resultado das Americanas está diretamente ligada ao redesenho da operação. Segundo o diretor financeiro Sebastien Durchon, o desempenho ainda reflete o peso de ativos em descontinuação.
“Temos dentro do resultado o peso ainda de algumas atividades que estamos vendendo ou descontinuando”, afirmou.
Nesse contexto, a redução da rede física tornou-se um eixo relevante. A empresa encerrou o ano com 1.470 lojas, abaixo das 1.587 unidades registradas anteriormente. Esse ajuste, embora reduza custos, também pressiona a receita líquida, criando um equilíbrio delicado entre eficiência e escala.
Por outro lado, o indicador de vendas em mesmas lojas avançou 7,8%, sugerindo maior produtividade das unidades remanescentes. Esse dado reforça uma tentativa de reorganizar a base operacional sem depender de expansão acelerada.
Estratégia digital e reposicionamento no varejo
Paralelamente, a companhia intensifica sua atuação no ambiente digital. A parceria com o Magazine Luiza surge como um vetor para ampliar a presença online e competir com plataformas como Mercado Livre e Shopee.
O CEO Fernando Soares avalia a iniciativa de forma positiva. “Parceria vem crescendo. Encontramos uma forma de fechar todos os ‘gaps’”, afirmou. A estratégia busca integrar varejo físico e digital, ampliando a experiência do consumidor e a capilaridade da marca.
Além disso, a base de 44 milhões de clientes ativos e cerca de 90 milhões de visitas mensais reforça o potencial de monetização. Ainda assim, a companhia sinaliza cautela ao afirmar que novas lojas abertas no Nordeste refletem oportunidades pontuais, e não um plano estruturado de expansão.
Prejuízo das Americanas e os próximos passos
Mesmo com a melhora nos números, o prejuízo das Americanas ainda reflete um processo em andamento. A companhia segue em recuperação judicial e, segundo Sebastien Durchon, pretende encerrar o processo ainda em 2025, após revisão do cronograma inicial.
Esse cenário coloca a empresa diante de uma equação complexa: reduzir custos sem comprometer crescimento. O avanço das parcerias estratégicas, aliado ao foco em eficiência operacional, tende a definir o ritmo da recuperação.
Dessa forma, o desempenho recente das Americanas indica ajuste em curso, mas também revela que a sustentabilidade dos resultados dependerá da capacidade de equilibrar rentabilidade, escala e competitividade no varejo brasileiro.





