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Lucro da JHSF dispara 138% e bate recorde histórico

A JHSF registrou lucro recorde no quarto trimestre de 2025, impulsionada por uma venda bilionária de imóveis. O resultado elevou receita, Ebitda e reverteu a posição financeira da empresa para caixa líquido.
Imagem do JHSF para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro do JHSF
JHSF tem lucro recorde com venda bilionária de imóveis. (Imagem: divulgação/JHSF)

A JHSF Participações (JHSF3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com o maior resultado de sua história, registrando lucro líquido de R$ 978,3 milhões — alta de 138% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho foi impulsionado por uma operação bilionária de venda de imóveis, que também elevou receita, Ebitda e transformou a posição financeira da companhia.

A força do resultado chama atenção não apenas pelo crescimento, mas pela magnitude dos números em um único trimestre. A receita líquida saltou para R$ 2,063 bilhões, avanço de 278,5%, enquanto o Ebitda ajustado atingiu R$ 1,137 bilhão, com expansão de 317%. A margem Ebitda chegou a 55,1%, indicando alta rentabilidade na operação.

No acumulado de 2025, o lucro líquido totalizou R$ 1,868 bilhão, crescimento de 117% sobre o ano anterior, consolidando o melhor desempenho da JHSF em quase seis décadas de atuação.

Venda bilionária explica salto no lucro da JHSF

O principal fator por trás do resultado foi a venda de um portfólio de 496 ativos imobiliários — entre lotes, casas e apartamentos — avaliado em R$ 5,2 bilhões. Os imóveis foram transferidos para o fundo JHSF Capital Desenvolvimento Imobiliário, estruturado com recursos garantidos por Bradesco, Itaú e XP.

Parte relevante desse valor, R$ 1,586 bilhão, entrou no caixa da companhia ainda no quarto trimestre. O restante será reconhecido gradualmente, conforme o avanço das obras, seguindo o modelo contábil do setor imobiliário.

A operação concentrou, em poucos meses, receitas que normalmente se distribuiriam ao longo de vários períodos, explicando o salto expressivo nos indicadores financeiros.

Caixa robusto e virada na estrutura financeira

O impacto da venda também foi direto na saúde financeira da empresa. A JHSF saiu de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bilhões no fim de 2025 — uma mudança relevante no balanço.

O volume de caixa cresceu 136%, chegando a R$ 5,405 bilhões, enquanto as contas a receber avançaram 135%, totalizando R$ 2,632 bilhões. Ao mesmo tempo, a dívida bruta teve leve alta, alcançando R$ 5,857 bilhões.

Na prática, a empresa ganhou fôlego financeiro para sustentar operações e novos projetos, além de reduzir sua exposição ao endividamento líquido.

Custos sobem com operação concentrada

O forte crescimento das receitas veio acompanhado de aumento relevante nas despesas. As despesas operacionais atingiram R$ 212 milhões no trimestre, alta de 140% na comparação anual.

As despesas com vendas foram o principal destaque, somando R$ 126,2 milhões — avanço de 605% — diretamente ligado à mega transação imobiliária. Já as despesas administrativas cresceram 21,3%, refletindo a expansão de projetos como o Fasano Tennis Club e o São Paulo Surf Club.

O resultado financeiro também pressionou o balanço, com despesa líquida de R$ 97,6 milhões, alta de 72%, influenciada pelo aumento dos juros e pelo custo da dívida.

Outros negócios também sustentam crescimento e o lucro do JHSF

Apesar do peso da venda de imóveis no trimestre, a JHSF destacou que suas operações recorrentes também tiveram desempenho relevante ao longo do ano.

Os shoppings do grupo registraram vendas de R$ 1,471 bilhão no quarto trimestre, com crescimento de 10%. As vendas nas mesmas lojas avançaram 9,3%, enquanto os aluguéis subiram 12,4%. A taxa de ocupação atingiu 99,2%, indicando alta demanda pelos espaços comerciais.

Na divisão de hospitalidade, os hotéis e restaurantes da marca Fasano registraram diária média de R$ 4,557 mil, com leve alta de 3,2%, e taxa de ocupação de 59,5%.

Ainda assim, o lucro trimestral dos negócios recorrentes foi de R$ 174,1 milhões, queda de 40,6% na comparação anual da JHSF. No acumulado de 2025, porém, esse segmento atingiu lucro recorde de R$ 968,9 milhões, alta de 45%.

Resultado recorde reflete operação pontual e escala

O desempenho da JHSF no quarto trimestre de 2025 combina dois fatores: uma operação extraordinária de grande escala e a manutenção de receitas consistentes em seus negócios principais.

O resultado reforça a capacidade da JHSF de gerar caixa em operações pontuais de grande porte, ao mesmo tempo em que mantém uma base operacional ativa e relevante em segmentos de alto padrão.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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