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Penhor legal aluguel pode fazer lojistas perder mercadorias após decisão do STJ

A decisão do STJ confirmou que o penhor legal em aluguel pode ser aplicado mesmo quando o contrato possui fiador. Com isso, locadores — como shoppings — podem reter mercadorias e bens de lojistas inadimplentes para garantir o pagamento da dívida, ampliando o risco operacional e financeiro no varejo.
penhor legal aluguel permite retenção de mercadorias de lojista inadimplente em loja sendo esvaziada
Lojistas podem ter mercadorias retidas para pagamento de dívidas de aluguel após decisão do STJ. (Imagem: Ilustrativa)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o penhor legal em aluguel pode ser aplicado mesmo quando o contrato de locação conta com fiador. Na prática, a medida permite que proprietários — especialmente shoppings — retenham mercadorias e bens de lojistas inadimplentes para garantir o pagamento da dívida. A decisão foi tomada por unanimidade pela Terceira Turma da Corte em fevereiro deste ano.

A decisão amplia o risco operacional para empresas, sobretudo no varejo, onde estoques e equipamentos podem ser usados como garantia imediata. Ao mesmo tempo, reforça a segurança jurídica para proprietários e tende a endurecer a relação entre locadores e lojistas, com impacto no fluxo de caixa dos negócios.

STJ reforça direito de retenção de bens em contratos comerciais

O caso analisado pela Terceira Turma do STJ teve origem em um shopping de Maceió, que reteve bens de um lojista com dívida superior a R$ 300 mil. A controvérsia girava em torno da possibilidade de aplicar o penhor legal mesmo com a existência de fiança no contrato.

Por unanimidade, o colegiado manteve o entendimento de que as duas garantias podem coexistir, já que possuem naturezas distintas. A fiança é uma garantia contratual, enquanto o penhor legal decorre diretamente da lei e pode ser acionado em caso de inadimplência.

A decisão tem efeito imediato sobre operações varejistas, especialmente em shopping centers, onde:

  • mercadorias ficam armazenadas no ponto comercial
  • equipamentos e mobiliário pertencem ao lojista
  • o fluxo financeiro depende da continuidade da operação

Com o reconhecimento do penhor legal em aluguel, esses ativos passam a ser potencialmente retidos pelo locador em caso de atraso no pagamento.

Além disso, o STJ reforçou que o locador pode se apossar dos bens antes mesmo de decisão judicial, em situações de urgência, desde que posteriormente busque a homologação na Justiça.

Decisão muda dinâmica de risco para empresas

O impacto da decisão vai além do aspecto jurídico e atinge diretamente a operação das empresas.

Principais efeitos para lojistas:

  • Risco de interrupção das atividades: retenção de estoque pode inviabilizar vendas
  • Perda de ativos essenciais: bens usados na operação podem ser comprometidos
  • Pressão sobre caixa: atraso no aluguel passa a ter consequência imediata
  • Maior poder do locador: aumenta a capacidade de reação em caso de inadimplência

Esse cenário tende a afetar principalmente pequenos e médios negócios, mais sensíveis a variações de caixa.

O ponto central da decisão foi a distinção entre os tipos de garantia.

A Lei do Inquilinato proíbe a exigência de mais de uma garantia contratual no mesmo contrato. No entanto, o STJ entendeu que essa limitação não se aplica ao penhor legal, pois ele não depende da vontade das partes.

Segundo o tribunal, o penhor legal é um direito previsto em lei que surge automaticamente em caso de inadimplência, funcionando como instrumento de proteção ao credor.

Tendência de endurecimento no mercado de locação comercial

A decisão do STJ sinaliza uma mudança relevante no equilíbrio das relações comerciais em contratos de locação.

No curto prazo, a tendência é de:

  • maior rigor na cobrança de aluguéis
  • redução da tolerância à inadimplência
  • revisão de contratos e garantias por parte de empresas
  • aumento da preocupação com gestão de risco

Para redes varejistas e lojistas independentes, o impacto pode ser relevante, sobretudo em momentos de desaceleração econômica. Em 2026, o preço do aluguel supera a inflação, elevando custos e o risco de inadimplência.

Decisão eleva risco operacional no varejo

O entendimento do STJ sobre o penhor legal em aluguel reforça o poder de cobrança dos locadores e amplia o nível de exposição das empresas que operam em imóveis alugados.

Ao permitir a retenção de mercadorias mesmo com a existência de fiador, a decisão transforma a inadimplência em um risco imediato para a continuidade do negócio — especialmente no varejo físico, onde os ativos estão diretamente vinculados ao ponto comercial.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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