O Grupo Toky, formado pela fusão entre Mobly e Tok&Stok, voltou ao lucro com o resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25) e apresentou uma melhora relevante na saúde financeira. O avanço vem acompanhado de forte redução da dívida e ganho de eficiência, mas ainda não foi suficiente para tirar o resultado anual do vermelho.
Entre outubro e dezembro, a empresa registrou lucro líquido de R$ 0,8 milhão, revertendo as perdas do ano anterior e marcando o primeiro sinal concreto de recuperação após a integração das operações.
Para o consumidor e o mercado, o movimento indica que a companhia deixou o estágio mais crítico da fusão, quando o risco financeiro era elevado, e passa a operar com maior estabilidade. Ainda assim, o desafio agora é transformar essa melhora pontual em resultado consistente ao longo de todo o ano.
Resultado do Grupo Toky no 4T25 mostra virada operacional
O principal sinal de mudança está na rentabilidade. O EBITDA do Grupo Toky atingiu R$ 79,5 milhões no quarto trimestre, o que representa uma alta de 88,8% em relação ao mesmo período de 2024. A margem saltou para 20,2%, praticamente o dobro do nível anterior.
Na prática, isso significa que a empresa passou a gerar muito mais resultado com a mesma base de vendas — um indicativo claro de ganho operacional.
Mesmo enfrentando problemas ao longo do ano, como falta de produtos e atrasos logísticos, o grupo manteve crescimento. O volume bruto de vendas (GMV) chegou a R$ 507,9 milhões no trimestre, avanço de 8,8%.
Esse dado revela que a demanda seguiu presente. O que limitava o desempenho não era a falta de clientes, mas falhas na operação, que começam a ser corrigidas.
Fusão começa a aparecer no resultado
A melhora no quarto trimestre é consequência direta da fusão entre Mobly e Tok&Stok. Ao longo de 2025, o grupo capturou cerca de R$ 97 milhões em sinergias, resultado de cortes de custos, integração de estruturas e ganhos logísticos.
Essas mudanças reduziram despesas administrativas, melhoraram a eficiência da operação e ampliaram as margens.
Por outro lado, a integração ainda trouxe efeitos colaterais relevantes. A empresa enfrentou ruptura de estoques, atrasos nas entregas e aumento de cancelamentos, fatores que afetaram o faturamento e pressionaram o caixa ao longo do ano.
Ou seja, o 4T25 marca o momento em que os ganhos da fusão começam a superar os custos da integração.
Dívida cai e muda percepção de risco
A mudança mais estrutural está na redução do endividamento. O Grupo Toky encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 401,4 milhões, uma queda relevante em relação ao ano anterior.
Mas o dado mais importante está na alavancagem:
- Caiu de 16 vezes o EBITDA em 2024
- Para 1,8 vez em 2025
Essa redução altera completamente o nível de risco da empresa. Na prática, o grupo deixa de operar sob pressão de insolvência e passa a um cenário mais controlado, com maior capacidade de investir e sustentar a operação.
A queda da dívida foi viabilizada por conversão de passivos em capital, renegociação com credores e operações com desconto relevante sobre os valores devidos.
Prejuízo no ano mostra que recuperação ainda não terminou
Apesar da melhora nos resultados no fim do ano, o Grupo Toky ainda registrou prejuízo de R$ 146,9 milhões em 2025.
O resultado negativo reflete principalmente:
- Custo elevado da dívida ao longo do ano;
- Impacto financeiro da aquisição da Tok&Stok, além dos efeitos do pedido de recuperação extrajudicial, solicitado em 2024;
- Ambiente econômico mais restritivo.
O setor de móveis e decoração segue pressionado por juros altos, crédito mais difícil e consumidores mais cautelosos. Portanto, fatores que reduzem compras de maior valor.
Isso explica por que a empresa melhora operacionalmente, mas ainda não consegue transformar esse avanço em lucro anual.
O que esperar do Grupo Toky após o 4T25
O resultado do quarto trimestre indica uma mudança de fase. O Grupo Toky sai de um período de ajuste intenso pós-fusão e entra em um momento focado em eficiência, geração de caixa e controle da dívida.
Para 2026, a empresa aposta em:
- Normalização dos estoques;
- Redução de custos logísticos;
- Aumento de margem com produtos próprios;
- Continuidade da desalavancagem.
O ponto central agora é a consistência. Portanto, depois de mostrar que consegue melhorar no curto prazo, o desafio será sustentar esse desempenho em um cenário econômico ainda pressionado. E, além disso, provar que a virada nos resultados do Grupo Toky no 4T25 não foi apenas pontual.





