As exportações da Marcopolo passaram a ocupar um papel mais relevante na estratégia da líder na fabricante de carrocerias de ônibus após o avanço das operações internacionais e a perda de ritmo no mercado brasileiro. O movimento ocorre em um ambiente ainda pressionado por juros elevados, que seguem afetando a renovação de frotas no país.
Em 2025, os negócios fora do Brasil responderam por apenas 45,4% da receita líquida total, acima dos 36,3% registrados em 2024. O dado indica uma mudança consistente no mix da empresa, que passa a depender menos do ciclo doméstico e amplia sua exposição a mercados externos.
Exportações da Marcopolo em 2026 ganham espaço com pressão doméstica
A desaceleração no Brasil, assim como a intenção de expandir para o exterior, aparece de forma direta nos números já divulgados em fevereiro. A receita doméstica caiu 10% em 2025, para R$ 4,95 bilhões, refletindo um ambiente de crédito ainda restritivo. Além de decisões de compra mais cautelosas por parte dos operadores de transporte.
Segundo o CEO André Armaganijan, a expectativa é de que o mercado brasileiro em 2026 permaneça abaixo do nível do ano anterior. O executivo atribui esse cenário ao impacto dos juros elevados, que continuam adiando investimentos e limitando a renovação de frotas.
Mercado externo sustenta avanço na América Latina
Diante desse cenário, as exportações da Marcopolo ao longo de 2026 devem se intensificar na América Latina, onde a empresa encontra demanda mais ativa e ciclos de compra menos afetados pelo custo de financiamento. A Argentina, inclusive, segue como um dos principais destinos, mantendo relevância na operação internacional.
Ao mesmo tempo, a empresa observa avanço em Peru e Bolívia, além de identificar oportunidades no Paraguai. Segundo Armaganijan, esses mercados passam a ganhar espaço dentro da estratégia, ampliando a base geográfica de crescimento.
Exportações da Marcopolo em 2026 focam em entrada na Europa
Além da região latino-americana, a Marcopolo começa a estruturar exportações à Europa já a partir de 2026, inicialmente por meio da certificação de produtos e da construção de canais comerciais. A empresa foca em França, Itália, Portugal e Espanha como primeiros mercados.
A parceria com a Volvo viabiliza essa entrada, com a empresa sueca atuando como contratante principal na França e na Itália, responsável pelas vendas e pelo pós-venda. Segundo o diretor de Operações Internacionais, José Luiz Góes, a companhia avalia, no longo prazo, a instalação de uma linha de montagem no continente. O que, portanto, indicaria uma presença mais estruturada fora do Brasil.
Portanto, ao avançar com a Europa e ampliar presença na América Latina, a Marcopolo reorganiza sua estratégia para reduzir a dependência do ciclo brasileiro e diluir os efeitos dos juros sobre a demanda interna. Nesse contexto, as exportações da Marcopolo passam a sustentar o crescimento, reposicionando o eixo da companhia em um cenário de demanda doméstica ainda pressionada.





