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Alta do aluguel no Brasil desacelera, mas segue pressionada por juros elevados

Alta do aluguel no Brasil persiste em 2026, com avanço anual próximo de 5% e influência direta dos juros elevados. Capitais mostram trajetórias distintas, reforçando um mercado imobiliário ainda pressionado e desigual.
Alta do aluguel no Brasil em áreas urbanas
Preços de locação seguem em elevação mesmo com desaceleração recente. Imagem: Canva

A alta do aluguel no Brasil avançou 0,40% em março e reforça um padrão que preocupa: os preços continuam subindo mesmo após o arrefecimento observado desde o fim de 2025. O dado do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da Fundação Getulio Vargas (FGV), indica que o custo da moradia segue pressionado, ainda que longe do pico recente.

No acumulado em 12 meses, os contratos registram elevação de 4,78%, acima do resultado anterior. Embora distante do nível registrado no fim do ano passado, o avanço contínuo mostra que o mercado ainda opera sob forças que impedem uma correção mais rápida. A leitura ganha complexidade quando se observa o comportamento desigual entre as capitais, e é aí que o cenário se fragmenta.

Capitais expõem distorções e revelam ajuste desigual nos preços

São Paulo puxou a aceleração, com variação de 1,06% em março, após praticamente estabilidade no mês anterior. Já Belo Horizonte e Porto Alegre inverteram direção, com quedas mensais, enquanto o Rio de Janeiro desacelerou fortemente.

No horizonte anual, porém, Porto Alegre lidera com 6,40%, seguida por Belo Horizonte e São Paulo. O Rio apresenta o menor avanço entre as capitais analisadas. Esse descolamento reforça que o mercado imobiliário urbano não responde de forma homogênea, refletindo diferenças locais de oferta, demanda e renda.

Para além da fotografia mensal, o comportamento regional sugere que o ajuste de preços ocorre de forma assimétrica, um ponto que amplia a incerteza sobre a trajetória futura.

Juros elevados sustentam pressão sobre contratos de locação

A manutenção da alta do aluguel no Brasil encontra respaldo no ambiente de crédito. Segundo o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a persistência de variações positivas está alinhada ao cenário de juros elevados, mesmo após a recente redução da taxa básica.

Com a Selic ainda em patamar restritivo, o custo de financiamento imobiliário permanece alto. Isso limita a migração para compra de imóveis e mantém a demanda por locação aquecida. Em paralelo, proprietários seguem ajustando contratos para recompor perdas inflacionárias recentes.

A dinâmica, portanto, não decorre apenas de oferta escassa, mas de uma equação mais ampla que envolve crédito, inflação e comportamento do consumidor.

Novo indicador muda leitura ao captar valores reais de contratos

Outro elemento que altera a interpretação do cenário é a própria metodologia do IVAR. O índice passou a considerar valores efetivamente negociados, com base em contratos intermediados por administradoras, e não apenas anúncios.

Isso reduz distorções e aproxima o indicador da realidade do mercado de locação residencial, onde descontos, renegociações e condições específicas influenciam o preço final. Com isso, a leitura da variação de aluguel tende a refletir com mais precisão o que de fato é pago.

Para além da melhora estatística, a mudança revela que a pressão observada não é apenas expectativa — ela está consolidada nos contratos ativos.

Ritmo menor não elimina pressão no custo de moradia

Apesar da desaceleração frente ao pico de 2025, a trajetória atual indica que o custo de aluguel segue em patamar elevado. A queda no ritmo não se traduz, até agora, em alívio efetivo para inquilinos.

Além disso, fatores como renda disponível, estoque de imóveis e dinâmica de crédito seguem condicionando o comportamento do setor. A desaceleração, nesse contexto, atua mais como ajuste técnico do que como reversão.

O que muda daqui para frente no mercado de aluguel

A continuidade da alta do aluguel no Brasil dependerá diretamente da trajetória dos juros e da capacidade de expansão da oferta imobiliária. Caso o crédito permaneça caro, a pressão sobre a locação tende a persistir.

Por outro lado, uma eventual redução mais consistente da Selic pode alterar essa equação, incentivando a compra e reduzindo a demanda por aluguel. Até lá, o mercado segue operando sob tensão estrutural, e a moradia permanece como um dos principais vetores de pressão no orçamento das famílias.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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