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Oi vende serviço de telefonia fixa em leilão e amplia reorganização do negócio

A Oi concluiu o leilão da telefonia fixa por R$ 60 milhões, em mais um passo na venda de ativos durante sua recuperação judicial. A operação garante continuidade do serviço e mostra como a empresa reorganiza sua estrutura por partes.
leilão da telefonia fixa da Oi envolve venda da operação para a Método Telecom
Leilão da telefonia fixa da Oi foi concluído com vitória da Método Telecom, que assume a operação do serviço no país (Foto: Reprodução)

A Oi concluiu, na noite desta quarta-feira (08/04), o leilão da sua operação de telefonia fixa, vendida por R$ 60,1 milhões à Método Telecom, em decisão da Justiça do Rio de Janeiro. A operação garante a continuidade de serviços essenciais em milhares de localidades e marca mais um passo na estratégia da empresa de vender ativos para reorganizar sua estrutura durante a recuperação judicial.

O negócio envolve não apenas linhas fixas residenciais, mas também a operação de números emergenciais, como 190 (Polícia Militar), 192 (SAMU) e 193 (Corpo de Bombeiros). Com isso, a continuidade do serviço está assegurada em mais de 7.400 localidades, muitas delas sem alternativa de operadora.

Ao concluir o leilão, a Oi transforma um ativo relevante em liquidez imediata e reduz a complexidade da operação. É claro, em linha com o processo de reestruturação que vem conduzindo.

Venda por partes guia a reorganização

A venda da telefonia fixa no leilão segue um modelo adotado pela Oi ao longo da recuperação judicial: a separação de ativos em unidades específicas para negociação. Na semana anterior, a operadora também vendeu sua participação na V.tal aos fundos ligados ao BTG Pactual

Esse formato permite que partes do negócio sejam transferidas de forma isolada, aumentando as chances de venda e reduzindo o risco para quem compra. No caso da telefonia fixa, a operação foi estruturada como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), o que garante que o ativo seja transferido sem dívidas anteriores.

Na prática, isso torna a negociação viável. Sem esse modelo, o histórico de passivos da companhia poderia afastar interessados ou reduzir significativamente o valor do ativo.

Estrutura da venda favorece conclusão do leilão da telefonia fixa da Oi

A disputa pelo ativo contou com duas propostas. A Método Telecom venceu ao oferecer os R$ 60,1 milhões à vista, superando a proposta da operadora de telecomunicações Sercomtel, que previa pagamento parcelado.

A exigência de pagamento imediato teve um peso decisivo. Além de garantir a liquidez da Oi, reduz o risco de inadimplência e atende às condições estabelecidas no edital. O que, portanto, facilitou a aprovação pela Justiça e pelos órgãos de fiscalização.

Outro ponto central foi a transferência da operação sem passivos. A Método assume a infraestrutura e os clientes, mas não herda dívidas trabalhistas, fiscais ou cíveis da Oi, o que aumenta a previsibilidade do negócio.

Continuidade do serviço limita mudanças

Apesar da conclusão do leilão, a operação do serviço de telefonia fixa da Oi não pode sofrer interrupções. A Justiça classificou a transação como necessária para evitar a descontinuidade de serviços considerados essenciais.

Portanto, a empresa compradora terá a obrigação de manter o atendimento até dezembro de 2028, incluindo a operação em regiões onde a Oi atua como única prestadora. Isso inclui infraestrutura como redes, postes, cabos e até orelhões.

Esse fator diferencia a venda de outros ativos. Mesmo com a transferência de controle, o serviço precisa continuar funcionando sem impacto para os usuários.

O que o leilão da telefonia fixa indica sobre a Oi

A conclusão do leilão da telefonia fixa reforça o caminho adotado pela Oi: reduzir sua estrutura por meio da venda de ativos específicos, em vez de tentar manter uma operação integrada.

Esse processo permite à empresa gerar caixa, simplificar a operação e avançar na recuperação judicial. Ao mesmo tempo, redefine gradualmente o perfil da companhia, que passa a concentrar suas atividades em áreas consideradas mais viáveis.

A venda também mostra como ativos considerados maduros ainda podem ter valor quando estruturados de forma adequada, especialmente quando envolvem serviços essenciais e base de clientes consolidada.

No conjunto, o leilão marca mais uma etapa na reorganização da Oinão como um evento isolado, mas como parte de um processo contínuo de reestruturação que vem sendo conduzido ao longo dos últimos anos.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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