O funcionamento do comércio no feriado de 13 de abril em Fortaleza não será automático nem gratuito para as empresas. Apesar da autorização para abrir, lojistas terão que cumprir exigências legais e assumir custos adicionais por funcionário para operar no dia em que a cidade completa 300 anos.
A regra, definida pela Lei nº 11.649 e detalhada por entidades como o SINDILOJAS Fortaleza e o SINDIMAC/CE, transforma o feriado em uma decisão financeira: abrir pode gerar receita, mas também aumenta despesas e obrigações trabalhistas. Na prática, o empresário precisa calcular se o movimento esperado compensa os encargos exigidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2026).
Quanto custa abrir o comércio no feriado
O principal impacto está no custo por trabalhador. Cada funcionário escalado para o feriado gera despesas adicionais obrigatórias.
A empresa deve pagar uma ajuda de custo de R$ 102,17 por empregado. Esse valor precisa ser quitado no mesmo dia ou em até dois dias úteis, caso seja feito via conta salário.
Além disso, o empregador precisa escolher entre conceder uma folga compensatória em até 20 dias ou pagar o dia trabalhado em dobro. Essa decisão afeta diretamente a folha de pagamento ou a escala operacional nos dias seguintes.
Há ainda uma contribuição sindical obrigatória de R$ 6,61 por funcionário que trabalhar no feriado, que deve ser recolhida em até dois dias úteis após a data.
Para empresas não associadas ao sindicato, o custo aumenta. É necessário pagar R$ 62,34 por estabelecimento para obter autorização de funcionamento, além de comprovar outras contribuições exigidas.
Burocracia obrigatória antes de abrir
Abrir as portas no feriado exige autorização prévia. As empresas precisam solicitar a chamada Certidão de Conformidade junto ao sindicato, com antecedência mínima de cinco dias.
O processo envolve o envio de dados detalhados, como CNPJ, endereço das unidades que vão funcionar, quantidade de funcionários escalados e comprovantes de pagamento das obrigações previstas na convenção coletiva. Sem esse documento, a abertura do comércio é considerada irregular.
Risco de multas e fiscalização
Empresas que decidirem abrir sem cumprir as regras enfrentam risco direto de autuação. A fiscalização pode aplicar multas e outras sanções administrativas e judiciais.
O alerta é claro: não basta abrir as portas. É preciso seguir integralmente as exigências da convenção coletiva.
Esse cenário aumenta a pressão sobre pequenos e médios empresários, que precisam equilibrar a oportunidade de vendas em um feriado com o custo operacional e o risco jurídico.
Decisão passa a ser estratégica
O feriado dos 300 anos de Fortaleza deixa de ser apenas uma data comemorativa e se torna um teste de viabilidade para o comércio.
Empresas com maior fluxo esperado podem absorver os custos e manter as operações. Já negócios menores tendem a avaliar com mais cautela, considerando o impacto direto na margem.
Para o consumidor, o resultado será desigual: parte do comércio deve funcionar normalmente, enquanto outros estabelecimentos podem optar por permanecer fechados. No fim, a decisão de abrir no feriado passa menos pela autorização e mais pela conta, e ela começa no custo por funcionário.





