O Preá, no litoral do Ceará, começa a se consolidar como um novo destino de luxo no Brasil, impulsionado por um projeto bilionário que combina turismo de alto padrão, mercado imobiliário e capital vindo do setor financeiro.
A transformação impacta diretamente uma região ainda pouco explorada, localizada a apenas 15 minutos do aeroporto de Jericoacoara, um dos destinos turísticos mais conhecidos do país. O plano prevê investimento de R$ 2 bilhões nos próximos anos, com potencial de alcançar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões em valor geral de vendas (VGV) ao longo da próxima década.
Na prática, o que está em curso é a criação de um novo polo turístico premium, em estágio inicial de desenvolvimento, o que amplia o potencial de valorização da região.
Como o Preá entrou na rota do luxo do turismo no Brasil
O avanço do Preá no turismo de luxo no Ceará começou com o kitesurf, esporte que colocou a região no radar internacional. Os ventos constantes atraem praticantes de alto poder aquisitivo, mas a infraestrutura local ainda não acompanhava esse perfil.
Esse descompasso abriu espaço para projetos de maior padrão. A leitura de investidores é direta: existe demanda global, mas ainda há baixa oferta qualificada.
Julio Capua, ex-sócio da XP Inc. e líder do Grupo Carnaúba, identificou essa oportunidade ainda em 2014. A primeira aquisição ocorreu em 2019, com uma área de 500 mil m² à beira-mar.
Durante a pandemia, o movimento se acelerou. A compra de novos terrenos elevou o landbank para 12 milhões de m², consolidando uma das maiores reservas de desenvolvimento imobiliário da região. Até agora, apenas cerca de 700 mil m² foram utilizados, o que indica amplo espaço para expansão.
Projeto aposta em luxo integrado com lagoas e casas de alto padrão
O modelo adotado no Preá combina residências de alto padrão, hotelaria e infraestrutura de lazer em um único ecossistema, estratégia comum em destinos internacionais consolidados.
A primeira fase do condomínio Vila Carnaúba, lançada em 2022, teve 100% dos 115 lotes vendidos, sinalizando forte demanda mesmo em estágio inicial do projeto.
Um dos diferenciais é a criação de lagoas artificiais com água azul e fundo de areia branca, inspiradas nos Lençóis Maranhenses. Já foram implantados 60 mil m² de espelhos d’água, com custo entre R$ 1.000 e R$ 1.200 por m².
A solução resolve uma limitação prática da região. Após a entrada dos ventos fortes, que podem chegar a 30 nós (55 km/h), o mar deixa de ser ideal para banho, o que exigiu a criação de novas áreas de lazer para manter o padrão de experiência.
Na fase atual, o projeto inclui novas lagoas e 24 branded residences, ampliando o portfólio de produtos de luxo.
Hotel internacional coloca Preá no mapa global do turismo
A consolidação do Preá no turismo de luxo Ceará ganha escala com a entrada de redes internacionais. O primeiro hotel será operado pela Anantara, marca da Minor International, em sua estreia na América Latina.
O empreendimento terá 80 quartos, com obras previstas para começar em julho. O ativo será controlado por um fundo de R$ 280 milhões, estruturado em parceria com a TG Core.
O grupo também negocia a chegada de outras bandeiras, como Accor e Fasano. Esse movimento tende a acelerar a visibilidade internacional do destino e elevar o valor dos imóveis.
Na prática, a presença dessas marcas funciona como um selo de qualidade, reduzindo risco percebido e atraindo investidores e turistas de alto padrão.
Por que o Preá pode repetir o efeito Jericoacoara
Em destinos como Jericoacoara, a valorização imobiliária ocorreu à medida que a infraestrutura turística avançou e o fluxo internacional cresceu. No Preá, o cenário ainda é inicial, o que significa que os preços atuais refletem um estágio anterior desse ciclo. Para investidores, isso abre espaço para ganhos com a maturação do destino, especialmente com a chegada de redes internacionais e novos empreendimentos.
A lógica segue um padrão já observado em outros destinos turísticos do Brasil, como Trancoso e a própria Jericoacoara, onde a expansão da oferta de alto padrão elevou o preço dos imóveis e consolidou o perfil de público de maior renda.
A proximidade com Jericoacoara é um dos principais fatores de valorização. O destino já consolidado funciona como âncora de demanda, enquanto o Preá surge como alternativa mais exclusiva e com maior espaço para crescimento.
Esse tipo de dinâmica é comum no mercado imobiliário turístico. Regiões vizinhas a destinos saturados tendem a absorver expansão de demanda, especialmente quando oferecem produtos mais novos e estruturados.
Para investidores, isso significa entrada em um ciclo inicial, quando os preços ainda não refletem o potencial total da região.
O projeto reúne nomes conhecidos do mercado financeiro entre sócios e frequentadores, reforçando a leitura de que o Preá não é apenas um destino turístico, mas também uma tese de investimento.
Entre os próximos lançamentos está um empreendimento com 200 apartamentos, com valores em torno de R$ 2 milhões por unidade, ampliando o acesso ao projeto.
Transformação econômica inclui habitação e crescimento planejado
A evolução do Preá como destino no turismo de luxo tende a gerar impacto direto na economia local, com aumento da demanda por serviços, mão de obra e infraestrutura.
Para evitar crescimento desordenado, o projeto inclui a criação de um bairro planejado voltado à habitação popular. A Vila Cajueiro deve começar com 1.000 casas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, com potencial de expansão para até 40 mil unidades ao longo do tempo.
A proposta busca garantir que trabalhadores tenham acesso à moradia próxima ao empreendimento, reduzindo o risco de ocupações irregulares.
Com investimento elevado, capital do mercado financeiro e planejamento de longo prazo, o Preá começa a deixar de ser um destino alternativo e passa a se posicionar como um dos novos polos de luxo do Brasil.





