As franquias brasileiras no exterior atingiram 4.194 operações em 2025, alta de 37%, e passaram a operar com uma lógica diferente: crescer fora deixou de ser expansão e virou forma de reduzir exposição à instabilidade econômica do Brasil.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o avanço combina escala na América Latina e presença global em 104 países, criando novas fontes de receita e permitindo que redes equilibrem desempenho entre mercados com ritmos distintos.
Onde estão as franquias brasileiras no exterior e o que isso revela
A expansão internacional ganhou densidade recente, com presença ampliada em dezenas de países e avanço mais concentrado em regiões onde o modelo de franquia enfrenta menos barreiras operacionais.
Entre os principais mercados, as maiores franquias brasileiras se concentram principalmente:
- México: 631 operações
- Colômbia: 532 operações
- Portugal: 72 marcas e 416 operações
- Estados Unidos: 66 marcas e 307 operações
- Paraguai: 55 marcas e 232 operações
A distribuição geográfica indica dois caminhos distintos de crescimento das franquias brasileiras, que operam ao mesmo tempo.
Na América Latina, o foco é escala, com expansão rápida, maior número de unidades e adaptação simples ao modelo pelo fator familiaridade regional. México e Colômbia, inclusive, concentram o maior volume por oferecerem mercados amplos e ambiente favorável à replicação.
Já em mercados como Portugal e Estados Unidos, o comportamento muda com um número maior de marcas, menor densidade operacional por rede e um maior foco em posicionamento internacional. Essa diferença mostra que a internacionalização não é uniforme. Parte das empresas busca crescimento acelerado, enquanto outra prioriza construção de marca global.
Por que crescer para o exterior virou estratégia contra risco
A expansão internacional passou a funcionar como mecanismo de proteção econômica.
Ao operar em vários países, o mercado de franquias brasileiro passa a:
- reduzir dependência do Brasil
- compensar oscilações entre economias
- acessar diferentes ciclos de consumo
- ampliar fontes de receita
Empresas como iGUi e Chilli Beans usam essa lógica para equilibrar resultados entre mercados. A iGUi soma mais de 280 operações em 54 países, enquanto a Chilli Beans mantém presença em 16 países.
Na prática, o desempenho deixa de depender de um único mercado e passa a refletir um portfólio geográfico mais distribuído.
O que limita o avanço das franquias brasileiras no exterior
Apesar do crescimento, a expansão internacional aumenta o nível de exigência operacional.
Entre os principais pontos de pressão:
- legislações diferentes por país
- padrões de consumo distintos
- necessidade de adaptação de produto
- aumento da complexidade de gestão
Executivos do setor apontam que operar fora exige equilíbrio entre padronização e adaptação local, o que eleva custos e demanda maior governança.
Além disso, países com maior número de marcas nem sempre garantem maior escala, o que impõe decisões mais seletivas na expansão.
Entrada de estrangeiras no Brasil aumenta pressão competitiva
O movimento de saída de franquias brasileiras para o exterior ocorre ao mesmo tempo em que o país recebe mais redes internacionais.
Hoje, o Brasil reúne:
- 122 marcas estrangeiras
- 18,4 mil unidades
- crescimento de 23% em relação a 2024
Os Estados Unidos lideram a origem:
- 47 marcas
- seguidos por França (10) e Itália (8)
Esse fluxo cria uma dinâmica simultânea: redes brasileiras buscam crescimento fora enquanto concorrentes globais ampliam presença dentro do país.
O resultado, portanto, é um ambiente mais competitivo, que pressiona eficiência e diferenciação.
Quais setores puxam a expansão internacional das franquias brasileiras
A crescente presença global de franquias brasileiras se concentra em segmentos com maior capacidade de replicação no mercado do exterior
Entre destaques, temos os seguintes segmentos mercadológicos
Alimentação
- Giraffas – presente nos EUA e Paraguai
- Habib’s / Ragazzo – expansão internacional mais seletiva, com operações fora do Brasil
- Oakberry (açaí) – forte presença global (EUA, Europa, Ásia)
Casa e Construção
- iGUi Piscinas – mais de 50 países, forte presença global
- Portobello Shop (Grupo Portobello) – atuação internacional com revestimentos
- Duratex / Dexco (Deca, Portinari) – presença via distribuição e operações fora
Comunicação e Tecnologia
- Stefanini (TI) – atuação global em dezenas de países
- Totvs – presença internacional na América Latina
- CI&T – forte atuação global em tecnologia e transformação digital
Esses setores combinam padronização operacional com demanda recorrente, o que facilita a adaptação a diferentes mercados.
Casos como academias e negócios ligados ao consumo de alimentos mostram como modelos escaláveis lideram a expansão, especialmente na América Latina.
Franquias brasileiras no exterior consolidam novo modelo de crescimento
O avanço das franquias brasileiras no exterior indica uma mudança estrutural no setor. A internacionalização deixou de ser um movimento pontual e passou a integrar a estratégia central das redes.
Ao distribuir operações entre países e combinar escala com presença global, as empresas franqueadoras reduzem a exposição ao mercado doméstico e ampliam a capacidade de crescimento de forma mais equilibrada.



