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Inflação dos alimentos volta a disparar em maio e pressiona consumo básico no Brasil

A inflação alimentos maio ganhou força no IPCA-15 divulgado pelo IBGE. Batata, tomate, leite e carnes ampliaram a pressão sobre o consumo básico mesmo com queda da gasolina.
Pessoa segura recibo de compras em supermercado enquanto carrinho com alimentos básicos aparece em primeiro plano.
Alta de alimentos básicos no IPCA-15 de maio reduziu parte do alívio provocado pela queda dos combustíveis no Brasil. (Foto: Ilustrativa)

A inflação alimentos voltou a acelerar em maio dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia oficial da inflação calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador subiu 0,62% em maio, abaixo dos 0,89% registrados em abril, mas os alimentos continuaram pressionando o custo de vida acima da média da economia.

O grupo Alimentação e bebidas avançou 1,38% no mês e respondeu pelo maior impacto individual do índice. A alimentação consumida dentro de casa subiu ainda mais, com alta de 1,73%, mostrando que a inflação voltou a atingir diretamente produtos básicos da rotina doméstica.

A mudança altera novamente a dinâmica inflacionária brasileira. Nos últimos meses, a desaceleração da gasolina ajudava a reduzir a pressão do índice geral. Agora, a inflação de alimentos volta a ganhar espaço justamente nas categorias mais sensíveis do consumo cotidiano.

Inflação alimentos dispara em produtos centrais da cesta básica em maio

A pressão mais forte apareceu justamente em itens presentes diariamente na alimentação doméstica. O IPCA-15 mostrou alta intensa em produtos de compra recorrente e forte peso dentro do orçamento das famílias.

As principais altas registradas pelo IBGE foram:

  • batata-inglesa: 26,29%;
  • tomate: 12,97%;
  • leite longa vida: 6,07%;
  • carnes: 1,98%.

Poucos itens conseguiram aliviar o avanço da comida no período. O café moído caiu 2,09%, enquanto a maçã recuou 2,32%.

A inflação de alimentos de maio ganha peso maior porque atinge categorias difíceis de substituir no consumo doméstico. A disparada da batata e do tomate amplia rapidamente a percepção de encarecimento da comida, enquanto leite e carnes pressionam produtos considerados essenciais na cesta alimentar.

Os dados regionais do IBGE mostram que o movimento não ficou restrito a uma única região. Tubérculos, legumes, carnes e derivados do leite avançaram simultaneamente em diversas capitais brasileiras, indicando uma pressão alimentar mais espalhada e persistente.

Inflação continua avançando fora dos supermercados

A pressão da comida também continuou aparecendo na alimentação fora do domicílio. Mesmo com desaceleração em relação a abril, refeições e lanches seguiram subindo no IPCA-15 de maio.

As refeições avançaram 0,57%, enquanto os lanches registraram alta de 0,37%. O comportamento indica que bares, restaurantes e redes alimentícias continuam repassando custos maiores de insumos, energia e operação.

A inflação de alimentos apresentada em maio reforça um cenário de pressão mais persistente justamente porque a pressão deixa de atingir apenas supermercados e passa a se espalhar também sobre serviços alimentícios e consumo urbano cotidiano.

Além da alimentação, outras despesas essenciais também continuaram avançando. A energia elétrica residencial subiu 2,16% após a volta da bandeira tarifária amarela e reajustes aplicados em capitais como Fortaleza, Salvador e Recife.

Os medicamentos também seguiram pressionados. Produtos farmacêuticos avançaram 1,25%, enquanto itens de higiene pessoal subiram 1,60% no período.

Aumento reduz impacto positivo da queda da gasolina

O recuo dos combustíveis evitou uma inflação ainda maior em maio. O grupo Transportes caiu 0,33% após a forte pressão observada no mês anterior.

Os principais recuos ocorreram em:

  • etanol: -2,73%;
  • óleo diesel: -2,04%;
  • gasolina: -1,32%.

Mesmo assim, a inflação dos alimentos em maio anulou parte relevante do alívio provocado pela queda nos postos. O avanço da comida voltou a pressionar justamente categorias básicas da rotina doméstica e reduziu o efeito positivo da desaceleração dos combustíveis sobre o custo de vida.

Inflação de alimentos de maio mantém pressão elevada mesmo com desaceleração do IPCA-15

Além da pressão nacional sobre os alimentos, o IPCA-15 também mostrou uma inflação mais espalhada regionalmente. Goiânia registrou a maior alta do país em maio, com avanço de 1,41%, enquanto Fortaleza, Recife e Salvador também ficaram acima da média nacional.

O cenário indica que a pressão sobre alimentação, energia e consumo básico deixou de ficar concentrada em choques isolados e passou a aparecer simultaneamente em diferentes regiões brasileiras. Isso reduz o efeito de alívio provocado pela queda dos combustíveis e mantém o custo de vida pressionado mesmo com a desaceleração do índice geral.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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