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Venda da Casa de Bolos mostra como pequenas franquias podem virar negócios milionários

Venda da Casa de Bolos à AB Mauri revela avanço de gigantes sobre franquias populares e consumo acessível.
Fachada de uma unidade da Casa de Bolos, rede comprada pela AB Mauri em operação ligada ao avanço das franquias populares no Brasil.
Venda da Casa de Bolos para a AB Mauri reforça interesse de gigantes globais por franquias populares e consumo acessível. (Foto: Divulgação/Casa de Bolos)

A venda da Casa de Bolos para a AB Mauri, subsidiária brasileira da britânica Associated British Foods, transformou uma pequena franquia criada no interior de São Paulo em um dos negócios mais emblemáticos do food service brasileiro em 2026. O valor da operação não foi divulgado oficialmente, mas estimativas de mercado apontam cerca de R$ 200 milhões.

A rede nasceu em Ribeirão Preto após a família de Sônia Ramos, fundadora da marca, enfrentar dificuldades financeiras durante os reflexos da crise de 2008. Quinze anos depois, a empresa superou 600 lojas, faturou R$ 720 milhões em 2025 e virou alvo de uma multinacional dona de marcas como Fleischmann e Ovomaltine no Brasil.

A venda da Casa de Bolos mostra uma mudança importante no setor alimentício. Empresas que antes atuavam apenas na indústria passaram a disputar marcas populares com relação direta e recorrente com consumidores.

O movimento ganhou força justamente porque franquias acessíveis começaram a apresentar crescimento mais resiliente do que parte das operações premium do food service.

Venda da Casa de Bolos expõe força das franquias populares

O negócio todo ajuda a explicar por que franquias consideradas simples passaram a despertar interesse de grupos globais. A rede cresceu principalmente fora dos grandes eixos premium do food service, avançando em bairros residenciais e cidades médias onde cafeterias sofisticadas possuem menor presença.

A expansão ganhou força no interior de São Paulo, principal mercado da companhia, mas também avançou em capitais e centros regionais como Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e Fortaleza. A estratégia priorizou regiões de consumo cotidiano e operação mais barata, a ponto de se tornar uma das maiores franquias do país em 2025.

Enquanto parte do setor apostava em experiências premium e sobremesas sofisticadas, a Casa de Bolos construiu crescimento baseada em fatores como:

  • Cardápio padronizado;
  • Operação simples;
  • Baixa complexidade logística;
  • Preços acessíveis;
  • Forte apelo afetivo.

AB Mauri avança do fornecimento industrial para o varejo final

A compra fortalece a estratégia de verticalização da AB Mauri no Brasil. Antes da operação, a companhia já fornecia ingredientes para padarias, confeitarias e indústrias de panificação. Com a venda da Casa de Bolos, a empresa passa a controlar também uma das maiores redes especializadas em bolos do país.

Na prática, o grupo amplia presença no varejo alimentar e reduz dependência dos canais tradicionais de distribuição. O movimento permite capturar margem em mais etapas da cadeia justamente num momento em que fabricantes enfrentam maior pressão sobre custos, concorrência e poder de negociação.

Nesse cenário, marcas com relação direta com consumidores ganharam valor estratégico porque ampliam:

  • fidelização;
  • recorrência de compra;
  • presença regional;
  • eficiência logística;
  • conexão emocional com consumo cotidiano.

Franquias populares entraram no radar de multinacionais

O avanço da AB Mauri também reforça uma mudança importante dentro do franchising alimentar brasileiro. A venda da Casa de Bolos evidencia como redes populares passaram a atrair grupos globais por combinarem expansão acelerada, operação replicável e demanda pulverizada.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor movimentou R$ 102,6 bilhões apenas no estado de São Paulo em 2025, alta de 10,7% sobre o ano anterior. Alimentação e food service responderam por mais de R$ 20 bilhões desse total.

O mercado brasileiro de confeitaria movimenta cerca de R$ 12 bilhões anuais. Os bolos caseiros representam a maior fatia do segmento, com crescimento estimado entre 3,5% e 5% ao ano.

A tendência deve acelerar nova rodada de consolidação no setor. Redes ligadas ao consumo acessível passaram a ocupar espaço estratégico entre varejo, indústria alimentícia e grandes grupos internacionais.

O que muda na rede após venda da Casa de Bolos

Apesar da mudança de controle, a venda não deve alterar imediatamente o funcionamento da rede Casa de Bolos. A AB Mauri afirmou que manterá a marca, o modelo de franquias e a estrutura operacional após a conclusão da transação.

Os quatro filhos de Sônia Ramos seguem na liderança da companhia. As receitas sem massa pronta, conservantes ou corantes também serão preservadas.

A principal mudança tende a aparecer na cadeia de abastecimento. Como uma das maiores fornecedoras de ingredientes para panificação do país, a AB Mauri possui maior capacidade logística, poder de escala e negociação com fornecedores.

Aos 79 anos, Sônia Ramos continua participando do desenvolvimento de receitas e do contato com funcionários. A Casa de Bolos mudou de dono, mas a identidade construída a partir de uma pequena franquia de bairro segue como principal ativo da marca.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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