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Inadimplência no agronegócio sobe e coloca crédito rural sob pressão em 2026

A inadimplência no agronegócio atingiu 8,2% no fim de 2025. O avanço pressiona o crédito rural, aumenta o risco para bancos e pode dificultar o financiamento da próxima safra.
Imagem de uma calculadora para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Inadimplência no agronegócio.
Inadimplência no agro sobe e acende alerta para crédito rural. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A inadimplência no agronegócio voltou a crescer no fim de 2025 e ampliou a preocupação sobre o financiamento da próxima safra. Segundo levantamento da Serasa Experian, o índice atingiu 8,2%, avançando um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

O aumento ocorre em um ambiente de margens apertadas, custos elevados e maior rigor na concessão de crédito. O cenário afeta produtores rurais, instituições financeiras e a capacidade de investimento necessária para sustentar a produção agrícola em 2026.

A alta dos atrasos chama atenção porque o crédito é uma das principais engrenagens do agronegócio brasileiro. Quando o risco aumenta, bancos e financiadores tendem a exigir mais garantias, reduzir exposição e elevar o custo das operações.

O que significa a alta da inadimplência no agronegócio

A alta da inadimplência indica que mais produtores estão encontrando dificuldades para honrar compromissos financeiros. Esse movimento aumenta o risco das operações de crédito e pode reduzir a oferta de financiamento para a próxima safra.

O indicador da Serasa considera dívidas vencidas há mais de 180 dias contraídas por pessoas físicas da população rural junto a empresas ligadas ao agronegócio.

A deterioração não surgiu de forma repentina. Os dados mostram uma trajetória de crescimento contínuo desde o final de 2024, sinalizando que a pressão financeira no campo vem se acumulando ao longo dos últimos trimestres.

Como a inadimplência pode afetar o crédito rural

A elevação da inadimplência no agronegócio ocorre em um momento decisivo para o planejamento da safra. Grande parte dos produtores depende de recursos financiados para custear insumos, maquinário e despesas operacionais.

Quando o risco de inadimplência aumenta, instituições financeiras tendem a revisar critérios de concessão de crédito. O resultado costuma ser uma seleção mais rigorosa dos tomadores e custos maiores para operações consideradas mais arriscadas.

Entre os possíveis impactos estão:

  • Maior seletividade na aprovação de crédito
  • Exigência de garantias adicionais
  • Redução dos limites de financiamento
  • Renegociações mais difíceis
  • Custo financeiro mais elevado

A preocupação ganha relevância porque as dívidas com instituições financeiras representam 7,2% do indicador total de inadimplência rural, mostrando que a pressão já alcança diretamente o sistema de crédito.

Por que bancos podem restringir o financiamento rural

O avanço da inadimplência exige maior cautela das instituições financeiras. Quanto maior o risco de atraso, maior tende a ser a necessidade de provisionamento e controle das carteiras de crédito.

Esse cenário é acompanhado de perto pelo Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio nacional. O desempenho da carteira rural influencia diretamente os resultados das instituições mais expostas ao setor.

Em momentos de aumento da inadimplência, os bancos costumam priorizar:

  • Produtores com histórico financeiro sólido
  • Operações com garantias mais robustas
  • Regiões de menor risco
  • Clientes com maior capacidade de pagamento

O movimento não significa interrupção do crédito rural, mas pode tornar o acesso aos recursos mais difícil para produtores que já enfrentam restrições financeiras.

Custos elevados continuam pressionando o caixa dos produtores

Segundo a Serasa Experian, a deterioração financeira está ligada a uma combinação de fatores que afetam a rentabilidade do campo. Custos elevados e volatilidade dos preços agrícolas seguem reduzindo a capacidade de pagamento de parte dos produtores.

Nos últimos meses, fertilizantes e combustíveis sofreram pressão adicional após os impactos da guerra envolvendo o Irã. Como esses itens representam parcela relevante dos custos de produção, o efeito foi sentido diretamente nas margens do setor.

Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, afirmou que produtores continuam enfrentando fluxo de caixa pressionado mesmo com sinais de estabilização observados em alguns segmentos.

Entre os fatores que pesam sobre o setor estão:

  • Alta dos fertilizantes
  • Aumento dos combustíveis
  • Oscilações nos preços das commodities agrícolas
  • Juros elevados
  • Crédito mais seletivo

Esse conjunto de pressões ajuda a explicar por que a inadimplência mantém trajetória de crescimento mesmo após períodos de boa produção agrícola.

Grandes produtores também aparecem entre os mais inadimplentes

Os dados revelam que a pressão financeira não está concentrada apenas em propriedades menores. A inadimplência alcança diferentes perfis de produtores rurais.

O maior índice foi registrado entre produtores sem informação de registro rural, com 9,9%. Em seguida aparecem os grandes proprietários, com 9,8%, resultado que chama atenção pela capacidade financeira normalmente associada a esse grupo.

O levantamento aponta:

  • Produtores sem registro rural: 9,9%
  • Grandes produtores: 9,8%
  • Médios produtores: 8,3%
  • Pequenos produtores: 7,8%

Os números sugerem que o desafio não está restrito a um único perfil de produtor. A pressão sobre o caixa se espalhou por diferentes segmentos do agronegócio.

Por estado, o destaque positivo foi o Rio Grande do Sul, que registrou inadimplência de apenas 5,3%, a menor do país. Segundo a Serasa Experian, fatores como forte presença de cooperativas, maior utilização de seguro agrícola e linhas de renegociação ajudam a explicar o desempenho.

Mesmo sem indicar uma crise generalizada, a inadimplência no agronegócio reforça um alerta relevante para 2026. Se a tendência de alta continuar, o crédito rural poderá se tornar mais seletivo e mais caro, transformando o acesso ao financiamento em um dos principais desafios para a próxima safra brasileira.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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