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Segundo turno na Colômbia vira disputa entre modelo Bukele e legado de Petro

A segurança pública dominou a eleição colombiana e colocou frente a frente propostas opostas para enfrentar guerrilhas e organizações criminosas.
Imagem da bandeira da Colômbia para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Segundo turno na Colômbia.
Colômbia decide entre linha dura e diálogo com guerrilhas. (Imagem: David Restrepo/Unsplash)

A segurança pública se transformou no principal campo de batalha da eleição colombiana. O avanço de Abelardo de la Espriella levou a Colômbia a um segundo turno marcado pela disputa entre repressão ao crime e negociação com grupos armados.

A votação de 21 de junho colocará frente a frente dois projetos opostos para enfrentar a violência. De um lado, uma estratégia inspirada no endurecimento adotado por Nayib Bukele em El Salvador. Do outro lado, a continuidade da política de diálogo defendida pelo governo de Gustavo Petro.

O resultado do primeiro turno mostrou que a criminalidade ganhou espaço entre as maiores preocupações dos colombianos e passou a influenciar diretamente o rumo da disputa presidencial.

Segurança pública impulsionou a ascensão de Abelardo de la Espriella

O líder do movimento Defensores da Pátria terminou o primeiro turno com 43,7% dos votos, à frente de Iván Cepeda, que recebeu 40,90%.

O crescimento de De la Espriella ocorreu em um ambiente marcado pelo aumento das preocupações com violência, narcotráfico e atuação de grupos armados em diferentes regiões do país.

Pesquisa do instituto Invamer mostrou que:

  • 40% dos colombianos apontam a segurança como principal problema nacional;
  • economia e desemprego aparecem com 11% das respostas;
  • a violência supera outras preocupações sociais e econômicas.

Nesse cenário, o candidato construiu uma campanha baseada em propostas de enfrentamento direto às organizações criminosas.

Entre as medidas defendidas por ele estão:

  • ampliação das operações militares;
  • construção de 10 megaprisões;
  • endurecimento das penas;
  • fim de novos processos de paz com grupos armados.

A estratégia ganhou espaço entre eleitores que avaliam que as negociações dos últimos anos não conseguiram reduzir a violência de forma duradoura.

Por que o modelo Bukele passou a atrair parte do eleitor colombiano

A comparação entre De la Espriella e o presidente salvadorenho Nayib Bukele se tornou um dos temas centrais da campanha.

Os dois compartilham um discurso de linha dura contra organizações criminosas e defendem ampliar a presença do Estado por meio de ações de segurança mais agressivas.

O crescimento dessa narrativa está ligado à percepção de que parte das regiões colombianas continua convivendo com conflitos armados mesmo após o acordo de paz firmado com as Farc em 2016.

Embora a guerrilha tenha aceitado o desarmamento, facções dissidentes permanecem ativas e disputam territórios ligados ao narcotráfico e à mineração ilegal.

Na semana passada, um confronto entre grupos dissidentes deixou 52 rebeldes mortos na Amazônia colombiana.

Para apoiadores de De la Espriella, episódios como esse demonstram a necessidade de uma resposta mais dura do Estado.

Críticos da proposta argumentam que o modelo pode ampliar tensões institucionais e reduzir garantias individuais em nome do combate ao crime.

Iván Cepeda aposta na continuidade do diálogo com grupos armados

Enquanto o adversário propõe endurecimento, Iván Cepeda defende ampliar negociações e preservar a estratégia iniciada durante o governo de Gustavo Petro.

O senador ficou conhecido por participar das articulações políticas que contribuíram para o acordo de paz firmado com as Farc.

A avaliação do candidato é que soluções permanentes exigem negociações capazes de reduzir conflitos e evitar novos ciclos de violência.

Entre as propostas defendidas por Cepeda estão:

  • continuidade das políticas sociais;
  • fortalecimento das negociações com grupos armados;
  • aumento do salário mínimo;
  • reforma agrária;
  • redução de benefícios para congressistas.

A proposta encontra apoio entre setores que consideram insuficientes as respostas exclusivamente militares para problemas históricos da Colômbia.

Ao mesmo tempo, adversários argumentam que as negociações não produziram os resultados esperados e permitiram que organizações criminosas preservassem influência em várias regiões.

Congresso fragmentado pode limitar qualquer vencedor

Independentemente de quem vencer no segundo turno, governar a Colômbia será um desafio complexo.

As eleições legislativas mostraram que nenhuma força política conquistou maioria suficiente para controlar o Congresso.

O Pacto Histórico, partido ligado a Petro e Cepeda, permaneceu como a maior bancada, mas ficou distante de uma maioria parlamentar.

O resultado indica que o próximo presidente dependerá de negociações constantes para aprovar reformas e projetos.

Analistas também apontam preocupações institucionais envolvendo os dois candidatos.

Críticos de De la Espriella questionam propostas que envolvem maior endurecimento contra o crime e possíveis impactos sobre garantias democráticas.

Já opositores de Cepeda demonstram preocupação com sua defesa de mudanças constitucionais caso reformas importantes sejam bloqueadas pelo Congresso.

O segundo turno na Colômbia será decidido em um ambiente de forte polarização e insegurança persistente. Mais do que escolher entre direita e esquerda, os eleitores definirão qual estratégia o país adotará para enfrentar um dos temas que mais influenciam a política colombiana: a violência ligada às guerrilhas e ao crime organizado.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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