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Queda do diesel pode beneficiar alimentos e transporte no Brasil

A queda do diesel promovida pela Petrobras reduz custos do transporte rodoviário e pode ajudar a aliviar a inflação. O impacto depende da velocidade com que o desconto chegar ao frete e aos preços de produtos.
Imagem da bomba de diesel em um posto da combustível para ilustrar uma matéria jornalística sobre a queda do diesel.
Queda do diesel pode aliviar fretes e reduzir pressão na inflação. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A queda do diesel ganhou relevância além do mercado de combustíveis. A Petrobras anunciou uma redução de 9,59% no preço do diesel A vendido às distribuidoras, levando o litro de R$ 3,65 para R$ 3,30 a partir desta segunda-feira ().

A medida ocorre após o governo federal renovar subsídios para o combustível em meio aos impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O efeito potencial alcança transporte, logística e preços de diversos produtos da economia.

A redução também diminui parte da pressão acumulada desde março, quando a Petrobras elevou o diesel em resposta à disparada do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Como a queda do diesel afeta frete e transporte de cargas

O diesel é o principal combustível utilizado pelo transporte rodoviário brasileiro, responsável pela maior parte da movimentação de mercadorias no país.

Quando ocorre uma redução relevante nos preços, os efeitos costumam aparecer primeiro nos custos das transportadoras e dos caminhoneiros.

Entre os setores mais sensíveis estão:

  • Transporte de alimentos;
  • Distribuição de combustíveis;
  • Logística do varejo;
  • Agronegócio;
  • Construção civil.

Embora a queda não seja repassada integralmente de forma imediata, ela reduz a pressão sobre contratos de frete e sobre os custos operacionais das empresas.

O impacto é especialmente relevante porque o transporte rodoviário continua sendo a principal engrenagem da logística nacional. Qualquer alteração no diesel tende a se espalhar por diferentes cadeias produtivas.

Por que o governo decidiu ampliar a subvenção ao diesel

A redução anunciada pela Petrobras está diretamente ligada à nova subvenção de R$ 1,12 por litro aprovada pelo governo federal.

A medida substitui programas anteriores que perderiam validade neste domingo e busca impedir que a alta internacional do petróleo seja transferida integralmente ao mercado doméstico.

A estratégia ganhou importância após o agravamento da guerra no Oriente Médio.

O fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do fluxo global de petróleo, provocou forte volatilidade nos mercados internacionais e elevou os custos da commodity.

Diante desse cenário, o governo optou por ampliar os mecanismos de proteção aos combustíveis para evitar impactos mais intensos sobre inflação e atividade econômica.

A própria Petrobras informou que ainda avalia os termos da nova política de subsídios e poderá divulgar novas decisões ao mercado conforme a evolução do cenário.

Queda do diesel pode ajudar no controle da inflação

O principal efeito econômico da queda do diesel pode aparecer nos índices de preços nos próximos meses.

O combustível influencia diretamente os custos de transporte e distribuição de produtos consumidos diariamente pela população.

Os segmentos que tendem a sentir mais rapidamente os efeitos são:

  • Alimentos;
  • Produtos industrializados;
  • Insumos agrícolas;
  • Materiais de construção;
  • Mercadorias transportadas por longas distâncias.

O repasse ao consumidor costuma ocorrer de forma gradual e varia conforme a concorrência e a estrutura de custos de cada setor.

Ainda assim, a redução ajuda a diminuir um dos principais vetores de pressão inflacionária em uma economia altamente dependente do transporte rodoviário.

O movimento também representa uma mudança importante em relação aos meses anteriores, quando a escalada do petróleo elevou os riscos de novos reajustes e aumentou as preocupações com os impactos sobre preços e atividade econômica.

Por enquanto, a continuidade desse alívio dependerá da evolução do conflito internacional e do comportamento das cotações do petróleo. Se os preços globais permanecerem sob controle, a queda do diesel poderá contribuir para reduzir custos logísticos e amenizar parte da pressão inflacionária observada ao longo do ano.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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