Anúncio SST SESI

Estreito de Hormuz trava rota e encarece exportações do Brasil

O fechamento do estreito de Hormuz elevou o custo das exportações brasileiras e forçou o desvio de cargas para o mar Vermelho. A Arábia Saudita virou eixo logístico para manter o fluxo ao Oriente Médio.
Navio cargueiro com contêineres em porto do mar Vermelho, nova rota das exportações brasileiras
Portos da Arábia Saudita no mar Vermelho ganharam protagonismo como alternativa logística para exportações brasileiras após crise no estreito de Hormuz (Foto: Reprodução)

O fechamento do estreito de Hormuz, em meio à crise militar entre Irã e Estados Unidos, empurrou o agro brasileiro para uma reorganização logística no Oriente Médio. Em vez de seguir diretamente para os portos do Golfo, parte relevante das cargas passou a entrar pela costa oeste da Arábia Saudita, transformando o mar Vermelho em corredor central para manter as exportações brasileiras de alimentos à região.

O fechamento do estreito de Hormuz já impacta as exportações do Brasil, ao encarecer o frete e forçar mudanças na logística para o Oriente Médio. O movimento preserva boa parte do fluxo comercial, mas encarece a operação e altera a geografia do escoamento.

A mudança vai além de um simples desvio de rota. Ela mostra que a Arábia Saudita deixou de ser apenas destino para assumir papel de plataforma logística regional. Portos como Jeddah, Yanbu, King Abdullah, Jazan e Neom passaram a receber embarques que antes seguiriam para o Golfo, e dali a carga continua por transporte terrestre ou por embarcações menores até outros mercados árabes.

A mudança nas exportações brasileiras para o Oriente Médio mostra como o bloqueio do Hormuz afeta diretamente o comércio exterior do país e expõe um novo nível de dependência da logística do comércio exterior em cenários de crise.

Esse redesenho importa porque o Oriente Médio segue como mercado relevante para o Brasil. Em 2025, o país exportou US$ 21,34 bilhões aos países árabes, sendo 72% ligados ao agro. Ou seja, quando a logística da região trava, o impacto recai diretamente sobre o custo das exportações brasileiras e a competitividade do setor.

Como o estreito de Hormuz afeta exportações do Brasil

O ponto central da mudança é a redistribuição das cargas. Antes, os embarques seguiam por uma rota mais direta via Golfo. Com o bloqueio, passaram a desembarcar na costa saudita do mar Vermelho e seguir por terra ou rotas menores até países como Emirados Árabes Unidos, Qatar e Jordânia.

Na prática, a Arábia Saudita virou ponte logística para o agro brasileiro. Essa adaptação ganhou força após a flexibilização regulatória saudita, que permitiu redirecionar cargas sem necessidade de alterar documentos como certificados sanitários ou licenças de importação.

O governo brasileiro passou a orientar exportadores sobre essa alternativa. A avaliação é que os portos do mar Vermelho têm capacidade ociosa e vêm ampliando eficiência e infraestrutura, o que evita uma ruptura mais severa no fluxo comercial.

Nova rota segura o fluxo, mas não evita perdas

A demanda continua forte, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O problema não é falta de compradores, mas dificuldade de entrega.

Mesmo assim, houve impacto imediato. As exportações de carne bovina caíram de 22 mil para 18 mil toneladas entre fevereiro e março, uma queda superior a 20%. No frango, o recuo foi de 18,5% no mesmo período.

Ainda assim, cerca de 80% do volume está sendo mantido, principalmente por meio do mar Vermelho. Esse dado mostra que a nova rota deixou de ser alternativa e virou estrutura essencial de escoamento, mesmo com o aumento do frete de exportação mais caro.

A adaptação envolveu também grandes armadores globais. Empresas como Maersk, MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd criaram novas rotas com escalas na região, adicionando cerca de 64 mil toneladas de capacidade logística.

Custo mais alto expõe o preço da nova rota

Manter o fluxo não significa manter eficiência. O frete de contêiner refrigerado saltou de cerca de US$ 3 mil para mais de US$ 7 mil, mais que dobrando o custo.

O fechamento do estreito de Hormuz encareceu as exportações do Brasil, especialmente no transporte de carne e outros produtos perecíveis, elevando o custo operacional das empresas.

Além disso, o tempo de transporte aumentou, com rotas mais longas e maior dependência de integração entre modais.

Mesmo com esse cenário, importadores têm absorvido parte dos custos para garantir abastecimento, diante da preocupação com segurança alimentar na região.

O ponto central é que o mar Vermelho deixou de ser rota secundária. Ele passou a representar uma nova dependência logística e um fator de risco para o impacto no agro brasileiro.

O frete mais caro reduz a margem dos exportadores e pode gerar pressão de custos ao longo da cadeia, dependendo da duração do conflito.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp