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Recuperação judicial do Grupo João Santos avança com venda de ativo para Votorantim

A recuperação judicial João Santos entrou em uma nova fase com a venda de uma jazida de calcário para a Votorantim. A operação ajuda a reduzir dívidas e mostra como a companhia depende da venda de ativos para concluir sua reestruturação financeira.
Empilhadeira movimenta pallets com sacos de cimento da Votorantim em centro de armazenagem da companhia.
Aquisição da jazida integra o processo de reestruturação financeira da João Santos e reforça a estratégia de redução de dívida do grupo. (Foto: Foto: Leonardo Rodrigues )

A recuperação judicial do Grupo João Santos deu mais um passo relevante com a venda de uma jazida de calcário em Ribeirão Grande (SP) para a Votorantim Cimentos por R$ 250 milhões. A operação amplia o caixa da companhia e reforça a estratégia de reduzir um endividamento que chegou a cerca de R$ 4 bilhões.

Mais do que uma transação no setor de cimento, o negócio mostra como a sobrevivência financeira do grupo passou a depender da monetização de ativos considerados não essenciais. O movimento ocorre após anos de crise empresarial, disputas societárias e dificuldades para manter operações industriais.

A venda também sinaliza uma mudança de fase no processo. Após anos concentrada em batalhas judiciais e negociações com credores, a reestruturação passa a produzir efeitos concretos na redução do passivo.

Como a recuperação judicial da João Santos chegou a esse ponto

A crise do Grupo João Santos se tornou pública em 2022, quando a empresa ingressou em recuperação judicial após um longo período de deterioração financeira.

O conglomerado, que chegou a ocupar posição de destaque na indústria cimenteira brasileira por meio da marca Cimento Nassau, acumulou passivos tributários, trabalhistas e financeiros ao longo dos anos.

Entre os fatores apontados para a crise estão:

  • Disputas sucessórias entre herdeiros após a morte do fundador João Pereira dos Santos;
  • Aumento do endividamento;
  • Fechamento de unidades industriais;
  • Perda de competitividade no mercado;
  • Dificuldades de gestão e governança.

O resultado foi uma dívida que alcançou aproximadamente R$ 4 bilhões, tornando necessária uma ampla renegociação com credores e órgãos públicos.

Venda de ativos virou peça central da recuperação judicial

Dentro da recuperação judicial, a venda de ativos se tornou uma das principais ferramentas da João Santos para gerar caixa e aliviar a pressão financeira acumulada ao longo dos últimos anos.

Os recursos obtidos com a operação, como a realizada com a Votorantim Cimentos, terão diferentes destinos, incluindo:

  • Despesas do processo;
  • Obrigações previstas no plano de recuperação;
  • E a amortização de dívidas contraídas durante a reestruturação.

Uma das prioridades é o financiamento DIP, modalidade emergencial usada por empresas em recuperação para manter suas atividades. O grupo pretende destinar cerca de R$ 200 milhões da operação para reduzir esse passivo e fortalecer a execução da recuperação judicial da João Santos. A lógica é diminuir o peso da dívida para preservar operações consideradas estratégicas e ampliar as chances de conclusão do processo de reestruturação.

O que ainda falta para a recuperação judicial da João Santos avançar

A situação, contudo, ainda está longe de ser resolvida, apesar do progresso. Isso porque a companhia continua negociando a venda de outros ativos relevantes, incluindo uma usina sucroalcooleira em Pernambuco avaliada em cerca de R$ 350 milhões.

O grupo também enfrentou disputas judiciais envolvendo herdeiros e credores, que chegaram a ameaçar o andamento do processo de recuperação. Decisões recentes da Justiça permitiram a continuidade do plano de alienação patrimonial.

Esse cenário evidencia um desafio comum em grandes recuperações judiciais: reduzir a dívida sem comprometer a capacidade operacional necessária para gerar receitas futuras.

A recuperação judicial da João Santos entra agora em uma etapa decisiva. A venda da jazida para a Votorantim mostra que o plano de reestruturação começa a produzir resultados financeiros concretos. Porém, a redução definitiva do passivo ainda dependerá da conclusão de novas negociações e da capacidade do grupo de transformar patrimônio em recursos para sustentar sua recuperação.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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