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Metade dos pedidos era recusada; a resposta do iFood veio do céu

O iFood iniciou entregas com drones em Barueri para reduzir recusas de pedidos em condomínios. A operação busca acelerar a logística e resolver um dos principais gargalos do delivery na região.
Imagem de um drone com pedidos do iFood para ilustrar uma matéria jornalística sobre as entregas de drones no iFood.
iFood usa drones para reduzir recusas e acelerar entregas em SP. (Imagem: divulgação/iFood)

O futuro do delivery chegou a São Paulo por um motivo menos tecnológico do que parece. A nova operação de entrega por drone no iFood foi criada para enfrentar um problema que vinha afetando diretamente a eficiência das entregas em condomínios residenciais de Alphaville e Barueri.

Na região atendida pela iFood, quase metade dos pedidos era recusada por entregadores devido ao tempo de espera nas portarias e às dificuldades de acesso aos condomínios. A nova rota aérea surge como uma tentativa de reduzir esse gargalo operacional.

A mudança mostra que o principal objetivo não é substituir entregadores, mas tornar a operação mais rápida em trechos considerados pouco eficientes. O drone assume parte do percurso enquanto a entrega final continua sendo realizada por um parceiro da plataforma.

Na prática, o drone está sendo usado para assumir trechos considerados pouco rentáveis pelos entregadores, reduzindo um dos principais gargalos operacionais do delivery em condomínios.

Como funciona a entrega por drone do iFood

A operação conecta restaurantes do Shopping Iguatemi Alphaville a condomínios residenciais da região.

O processo ocorre em cinco etapas:

  • Cliente faz o pedido pelo aplicativo;
  • Mensageiro ou robô coleta a encomenda no restaurante;
  • Drone percorre 3,6 quilômetros em cerca de cinco minutos;
  • Equipamento pousa em área específica do condomínio;
  • Entregador parceiro realiza a entrega até a porta do cliente.

A operação funciona diariamente entre 10h30 e 22h30 e possui autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Por que tantos pedidos eram recusados na região

Segundo o iFood, o índice de rejeição de entregas em parte de Alphaville e Barueri se aproximava de 50%.

O problema estava concentrado principalmente em condomínios residenciais com processos de acesso mais demorados. Para muitos entregadores, o tempo gasto em portarias reduzia a produtividade e tornava determinadas corridas menos atrativas.

Entre os fatores apontados pela empresa estão:

  • Tempo elevado de espera nas portarias;
  • Dificuldade de acesso a condomínios fechados;
  • Menor quantidade de entregas realizadas por hora;
  • Redução da rentabilidade das corridas.

Nesse cenário, a recusa dos pedidos passou a gerar impactos para toda a cadeia do delivery, incluindo consumidores, restaurantes e a própria plataforma.

Quanto maior a dificuldade de acesso, maior tende a ser o tempo necessário para concluir cada corrida. Isso reduz a disponibilidade dos entregadores e aumenta o risco de atrasos na operação.

O que a estratégia revela sobre o futuro do delivery

A iniciativa indica uma mudança importante na forma como plataformas de entrega enfrentam gargalos urbanos.

Em vez de substituir trabalhadores, a tecnologia está sendo aplicada para resolver etapas específicas da operação onde existem perdas de eficiência.

Os benefícios potenciais incluem:

  • Menor tempo de deslocamento;
  • Redução de recusas de pedidos;
  • Maior previsibilidade das entregas;
  • Ampliação da capacidade logística em áreas complexas;
  • Melhor aproveitamento dos entregadores nas etapas finais.

A estratégia também pode servir como laboratório para futuras expansões em regiões com características semelhantes.

O iFood já possui experiência nesse modelo. Em Sergipe, a empresa afirma ter realizado mais de 5 mil entregas, substituindo um trajeto terrestre de 36 quilômetros por voos inferiores a quatro quilômetros.

A nova operação em Alphaville representa mais um passo na tentativa de transformar drones em ferramentas permanentes da logística urbana.

Embora o projeto ainda esteja restrito a uma rota específica, o resultado será acompanhado de perto pelo setor. Se conseguir reduzir recusas e acelerar entregas, a iniciativa poderá ampliar o uso da tecnologia em regiões onde o acesso aos clientes continua sendo um dos maiores desafios do delivery.

O desempenho dessa operação ajudará a definir os próximos passos da estratégia de entrega por drone no iFood, que busca combinar automação e entregadores para aumentar a eficiência da logística urbana sem eliminar a participação humana no processo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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