As terras raras do Brasil ganharam espaço na estratégia da União Europeia para reduzir a dependência da China de minerais críticos. Durante visita a Minas Gerais no último sábado (20/06), o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, defendeu uma parceria que combine fornecimento de matérias-primas com processamento local e transferência de tecnologia.
A proposta europeia busca ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva, alinhando-se ao interesse do governo de estimular o refino e a industrialização desses minerais antes da exportação.
O movimento ocorre em meio à disputa global por insumos usados em veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa, setor no qual o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras.
Terras raras Brasil entram no radar europeu por potencial industrial
Durante a visita ao centro de pesquisa e processamento da Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG), o comissário europeu também defendeu um modelo que combine fornecimento de minerais com desenvolvimento industrial local.
Segundo ele, a parceria pode permitir que o Brasil avance para etapas mais rentáveis da cadeia produtiva, em vez de permanecer concentrado na exportação de matérias-primas.
A visão europeia converge com uma das prioridades do governo brasileiro para o setor mineral: estimular projetos capazes de agregar tecnologia e processamento antes da exportação.
Por que a União Europeia busca novas fontes de minerais críticos
A busca por fornecedores alternativos ganhou força após anos de crescente dependência da China em cadeias consideradas estratégicas para a economia global.
As terras raras presentes no Brasil estão entre os insumos mais disputados porque são utilizadas na fabricação de:
- Motores de veículos elétricos;
- Turbinas eólicas;
- Equipamentos eletrônicos;
- Sistemas de defesa;
- Tecnologias avançadas de energia.
Além da China, eventos como a pandemia e a guerra na Ucrânia reforçaram a preocupação de governos ocidentais com a concentração das cadeias globais de suprimentos.
Nesse cenário, países com grandes reservas minerais passaram a ocupar posição estratégica nas políticas industriais da Europa e dos Estados Unidos.
Projeto em Minas Gerais mostra o potencial da cadeia de terras raras
O interesse europeu nas terras raras do Brasil apoia-se em projetos que podem ampliar a participação brasileira na indústria de minerais críticos. Um dos exemplos é o Projeto Colossus, da Viridis Mining and Minerals, em Minas Gerais.
A companhia inaugurou em maio uma planta piloto capaz de processar 100 quilos de minério por hora. O próximo passo é a construção de uma unidade comercial estimada em US$ 360 milhões.
A meta é produzir até 15 mil toneladas anuais de carbonato misto de terras raras a partir de 2028, fortalecendo a presença brasileira em uma etapa mais avançada da cadeia produtiva.
A estratégia também envolve parcerias internacionais. A Viridis assinou neste mês uma carta de intenções com a belga Solvay para fornecimento de material processado e possível cooperação tecnológica.
O que o avanço das terras raras Brasil pode significar para a economia
O principal diferencial da proposta europeia está na tentativa de estimular atividades de maior valor agregado dentro do país.
Quando o minério é exportado sem processamento, grande parte das margens mais elevadas fica concentrada nas etapas industriais realizadas em outros mercados. O refino e a transformação dos minerais costumam gerar mais empregos qualificados, transferência tecnológica e desenvolvimento industrial.
Por isso, o avanço da cadeia de terras raras no Brasil tem potencial para produzir efeitos que vão além da mineração. O setor pode atrair investimentos em tecnologia, processamento químico e manufatura ligada à transição energética.
A disputa entre União Europeia, Estados Unidos e China por minerais críticos mostra que o valor estratégico desses recursos deixou de estar apenas no subsolo. Cada vez mais, ele depende da capacidade dos países de transformar reservas minerais em indústria, tecnologia e competitividade econômica.





