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Crédito habitacional da Caixa chega a R$ 1 trilhão e muda o mercado imobiliário

A Caixa atingiu um marco histórico no crédito imobiliário. Entenda por que o banco continuou expandindo os financiamentos mesmo com a Selic elevada e a poupança em baixa.
Imagem da fachada da Caixa Econômica Federal para ilustrar uma matéria jornalística do crédito da Caixa.
Caixa atinge R$ 1 trilhão em crédito habitacional com avanço do MCMV. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O crédito habitacional da Caixa alcançou R$ 1 trilhão em junho, um recorde que consolida a liderança do banco no financiamento imobiliário brasileiro. A carteira cresceu 14% em 12 meses, mesmo em um período marcado por juros elevados e pela desaceleração dos depósitos na caderneta de poupança.

O resultado revela uma mudança importante no mercado. Em vez de depender quase exclusivamente da poupança, a Caixa passou a ampliar o uso de outras fontes de recursos, preservando o ritmo das concessões de crédito enquanto o custo do dinheiro permaneceu elevado.

O principal motor dessa expansão foi o Minha Casa, Minha Vida, responsável por 58,4% da carteira habitacional. A combinação entre subsídios públicos e novas formas de captação permitiu ao banco manter taxas competitivas e ampliar o acesso ao financiamento imobiliário, apesar do cenário econômico desafiador.

Antes mesmo dos números, o marco de R$ 1 trilhão mostra que o modelo de financiamento da habitação no Brasil está passando por uma transformação estrutural, reduzindo a dependência da poupança como principal fonte de recursos.

Como a Caixa conseguiu ampliar o crédito imobiliário com juros altos

A alta da Selic reduziu a atratividade da caderneta de poupança, levando muitos investidores a migrar para aplicações de renda fixa com maior rentabilidade. Esse movimento diminuiu o crescimento dos depósitos que tradicionalmente abastecem o crédito imobiliário.

Para evitar que essa limitação reduzisse a oferta de financiamentos, a Caixa diversificou suas fontes de captação, estratégia destacada pelo presidente da instituição, Carlos Vieira.

Entre os principais instrumentos utilizados estão:

  • Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
  • captações no mercado de capitais;
  • operações internacionais;
  • subsídios públicos ligados ao Minha Casa, Minha Vida.

Segundo Carlos Vieira, essa combinação permite oferecer, em diversas modalidades, taxas inferiores à Selic, preservando a capacidade de financiar imóveis mesmo em um ambiente de juros elevados.

Essa estratégia também explica por que a Caixa continua liderando o mercado enquanto parte das instituições financeiras enfrenta maior dificuldade para expandir suas operações de crédito imobiliário.

Minha Casa, Minha Vida explica mais da metade do crescimento

O Minha Casa, Minha Vida representa 58,4% de toda a carteira habitacional da Caixa, reforçando a importância do programa para a expansão do crédito no país.

Em 2025, o banco financiou 659,2 mil moradias por meio do programa habitacional.

No mesmo período, registrou:

  • R$ 246,4 bilhões em contratações;
  • mais de 873 mil imóveis financiados;
  • 68% de participação em todas as operações de crédito imobiliário do país.

no primeiro trimestre de 2026, a instituição originou R$ 64,2 bilhões em novos financiamentos, mantendo um ritmo de crescimento superior ao observado em anos anteriores.

O desempenho também reflete a combinação entre aumento da massa salarial, políticas públicas voltadas à habitação e maior capacidade da Caixa de acessar diferentes fontes de financiamento.

O que o recorde de R$ 1 trilhão sinaliza para o mercado imobiliário

O recorde vai além de um marco financeiro. Ele indica que o financiamento imobiliário brasileiro entrou em uma nova fase, menos dependente da poupança e mais apoiada em instrumentos de mercado.

Essa mudança reduz um dos principais riscos para o setor habitacional: a limitação de recursos quando os depósitos da poupança perdem força em períodos de juros elevados.

Ao mesmo tempo, o protagonismo do Minha Casa, Minha Vida reforça que os programas habitacionais continuam sendo decisivos para sustentar o mercado de imóveis, especialmente para famílias de baixa e média renda.

Com 68% das operações de crédito imobiliário, a Caixa permanece como a principal financiadora da casa própria no Brasil. O marco de R$ 1 trilhão demonstra que a expansão recente não foi resultado apenas do aumento da demanda, mas da capacidade do banco de adaptar seu modelo de financiamento às mudanças no cenário econômico.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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