O crédito habitacional da Caixa alcançou R$ 1 trilhão em junho, um recorde que consolida a liderança do banco no financiamento imobiliário brasileiro. A carteira cresceu 14% em 12 meses, mesmo em um período marcado por juros elevados e pela desaceleração dos depósitos na caderneta de poupança.
O resultado revela uma mudança importante no mercado. Em vez de depender quase exclusivamente da poupança, a Caixa passou a ampliar o uso de outras fontes de recursos, preservando o ritmo das concessões de crédito enquanto o custo do dinheiro permaneceu elevado.
O principal motor dessa expansão foi o Minha Casa, Minha Vida, responsável por 58,4% da carteira habitacional. A combinação entre subsídios públicos e novas formas de captação permitiu ao banco manter taxas competitivas e ampliar o acesso ao financiamento imobiliário, apesar do cenário econômico desafiador.
Antes mesmo dos números, o marco de R$ 1 trilhão mostra que o modelo de financiamento da habitação no Brasil está passando por uma transformação estrutural, reduzindo a dependência da poupança como principal fonte de recursos.
Como a Caixa conseguiu ampliar o crédito imobiliário com juros altos
A alta da Selic reduziu a atratividade da caderneta de poupança, levando muitos investidores a migrar para aplicações de renda fixa com maior rentabilidade. Esse movimento diminuiu o crescimento dos depósitos que tradicionalmente abastecem o crédito imobiliário.
Para evitar que essa limitação reduzisse a oferta de financiamentos, a Caixa diversificou suas fontes de captação, estratégia destacada pelo presidente da instituição, Carlos Vieira.
Entre os principais instrumentos utilizados estão:
- Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
- captações no mercado de capitais;
- operações internacionais;
- subsídios públicos ligados ao Minha Casa, Minha Vida.
Segundo Carlos Vieira, essa combinação permite oferecer, em diversas modalidades, taxas inferiores à Selic, preservando a capacidade de financiar imóveis mesmo em um ambiente de juros elevados.
Essa estratégia também explica por que a Caixa continua liderando o mercado enquanto parte das instituições financeiras enfrenta maior dificuldade para expandir suas operações de crédito imobiliário.
Minha Casa, Minha Vida explica mais da metade do crescimento
O Minha Casa, Minha Vida representa 58,4% de toda a carteira habitacional da Caixa, reforçando a importância do programa para a expansão do crédito no país.
Em 2025, o banco financiou 659,2 mil moradias por meio do programa habitacional.
No mesmo período, registrou:
- R$ 246,4 bilhões em contratações;
- mais de 873 mil imóveis financiados;
- 68% de participação em todas as operações de crédito imobiliário do país.
Já no primeiro trimestre de 2026, a instituição originou R$ 64,2 bilhões em novos financiamentos, mantendo um ritmo de crescimento superior ao observado em anos anteriores.
O desempenho também reflete a combinação entre aumento da massa salarial, políticas públicas voltadas à habitação e maior capacidade da Caixa de acessar diferentes fontes de financiamento.
O que o recorde de R$ 1 trilhão sinaliza para o mercado imobiliário
O recorde vai além de um marco financeiro. Ele indica que o financiamento imobiliário brasileiro entrou em uma nova fase, menos dependente da poupança e mais apoiada em instrumentos de mercado.
Essa mudança reduz um dos principais riscos para o setor habitacional: a limitação de recursos quando os depósitos da poupança perdem força em períodos de juros elevados.
Ao mesmo tempo, o protagonismo do Minha Casa, Minha Vida reforça que os programas habitacionais continuam sendo decisivos para sustentar o mercado de imóveis, especialmente para famílias de baixa e média renda.
Com 68% das operações de crédito imobiliário, a Caixa permanece como a principal financiadora da casa própria no Brasil. O marco de R$ 1 trilhão demonstra que a expansão recente não foi resultado apenas do aumento da demanda, mas da capacidade do banco de adaptar seu modelo de financiamento às mudanças no cenário econômico.





