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Inadimplência do crédito livre sobe em maio e aumenta o risco para novos empréstimos

O Banco Central registrou aumento da inadimplência do crédito livre em maio, um movimento que pode pressionar a oferta de empréstimos e manter o crédito mais caro.
Fachada da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, onde a instituição divulgou os dados de crédito referentes a maio de 2026.
Banco Central divulgou os dados de crédito de maio, que mostram alta da inadimplência no crédito livre. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A inadimplência do crédito livre voltou a crescer em maio e alcançou 6,2%, acima dos 6,1% registrados no mês anterior, segundo as estatísticas monetárias e de crédito divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (01/06). Embora a alta seja pequena, ela ocorre em um ambiente de juros elevados e reforça um sinal de deterioração da qualidade das operações de crédito.

Na mesma divulgação, o Banco Central informou que o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional avançou 0,6% em maio, chegando a R$ 7,3 trilhões, enquanto as concessões cresceram apenas 0,2%. Os números indicam que o mercado continua expandindo, mas em ritmo mais moderado.

O principal alerta está na combinação entre crescimento da carteira e aumento da inadimplência. Esse cenário tende a elevar a cautela das instituições financeiras na concessão de novos empréstimos, principalmente nas linhas negociadas livremente entre bancos e clientes.

Inadimplência do crédito livre indica maior seletividade dos bancos

A inadimplência do crédito livre costuma ser acompanhada de perto porque reúne operações em que as condições são definidas pelo mercado, sem subsídios ou regras específicas do governo. Quando esse indicador sobe, aumenta também a percepção de risco para novas concessões.

Em maio, esse movimento ocorreu ao mesmo tempo em que as concessões de crédito livre recuaram 1,1% frente ao mês anterior. O dado sugere que as instituições financeiras seguem adotando critérios mais rigorosos para emprestar recursos diante do ambiente de juros elevados.

Os indicadores reforçam esse quadro:

  • Inadimplência do crédito livre: 6,2%
  • Juros médios do crédito livre: 49,5% ao ano
  • Spread bancário: 35,8 pontos percentuais
  • Concessões de crédito livre: queda de 1,1% em maio

Crescimento do crédito esconde mudanças na qualidade da carteira

Apesar da expansão do estoque total para R$ 7,3 trilhões, o crescimento do crédito não ocorreu de forma homogênea. Enquanto as operações com recursos livres perderam força, as concessões com recursos direcionados avançaram 13,3% no mês.

Essa diferença mostra que a expansão da carteira não significa necessariamente um ambiente mais favorável para a oferta de crédito privado. Parte relevante do crescimento passou a depender de modalidades com regras definidas pelo governo, enquanto o segmento mais sensível ao risco permaneceu pressionado.

O comportamento também indica que bancos e demais instituições financeiras continuam priorizando operações consideradas menos arriscadas ou com maior previsibilidade de pagamento.

Aumento da inadimplência do crédito livre pode manter crédito caro

A elevação da inadimplência do crédito livre tende a produzir efeitos que vão além dos indicadores mensais divulgados pelo Banco Central. Quando cresce o volume de atrasos, as instituições financeiras costumam reforçar provisões, revisar critérios de concessão e manter taxas elevadas para compensar o risco.

Esse processo reduz a velocidade de expansão das operações privadas e dificulta o acesso ao financiamento, especialmente para consumidores e empresas com maior percepção de risco.

Enquanto a inadimplência permanecer em trajetória de alta e os juros continuarem próximos de 49,5% ao ano no crédito livre, a tendência é que o mercado siga crescendo de forma mais lenta e com maior dependência das linhas direcionadas. Nessecontexto, os números de maio reforçam que o desafio deixou de ser apenas ampliar o volume de empréstimos e passou a preservar a qualidade da carteira de crédito.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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