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Geração de empregos no Brasil cai ao pior nível para maio desde 2020

Caged mostra desaceleração do emprego formal em maio. Entenda como juros altos, crédito caro e cautela empresarial reduzem o ritmo das contratações.
Carteira de Trabalho simboliza o mercado formal, que registrou a menor geração de vagas para maio desde 2020.
Apesar do saldo positivo, o ritmo de criação de empregos formais desacelerou pelo segundo mês consecutivo, segundo o Caged. (Foto: Reprodução)

A geração de empregos no Brasil somou 72,9 mil vagas formais em maio, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (30/06) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Foi o pior maio desde 2020.

O saldo veio de 2,2 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos, mantendo o mercado formal no azul. O problema é a perda de velocidade: abril já havia registrado 85 mil vagas, também no menor nível em seis anos.

No acumulado de janeiro a maio, o país criou 767 mil empregos formais, abaixo de 1 milhão no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o saldo ainda é positivo, com 973 mil postos, mas o avanço perdeu tração.

O dado muda a leitura sobre o mercado de trabalho. A economia ainda contrata, mas as empresas parecem mais seletivas para ampliar equipes, especialmente em setores dependentes de consumo, crédito e investimento.

Geração de empregos no Brasil perde ritmo mesmo com saldo positivo

A criação de vagas em maio confirmou que o mercado formal ainda cresce, mas com menos força. O saldo positivo evita uma leitura de retração, porém o pior resultado para o mês desde 2020 confirma que as empresas reduziram o ritmo de expansão das equipes.

O enfraquecimento na geração de empregos no Brasil aparece com mais clareza na criação de vagas por setor. Todos os grandes grupos contrataram mais do que demitiram, porém os serviços concentraram a maior parte do avanço e o comércio praticamente ficou parado.

Os principais saldos de maio foram:

  • Serviços: 45 mil vagas
  • Construção: 12 mil vagas
  • Indústria: 4.974 vagas
  • Comércio: 40 vagas
  • Agropecuária: alta puxada por café, laranja e cana-de-açúcar

O dado do comércio é o principal alerta do mês. Um saldo de apenas 40 vagas em um setor intensivo em mão de obra indica cautela das empresas mais expostas ao consumo das famílias, ao crédito caro e aos juros elevados.

Serviços seguram o saldo, mas comércio acende alerta

O bom desempenho dos serviços foi decisivo para sustentar a geração de empregos no Brasil em maio. Saúde, serviços sociais e atividades administrativas lideraram as contratações, mantendo a demanda por mão de obra mesmo em um ambiente de menor expansão da economia.

A agropecuária voltou ao campo positivo após meses mais fracos, impulsionada pelo cultivo de café, que abriu 17,6 mil vagas, além das culturas de laranja e cana-de-açúcar. O resultado, porém, reflete principalmente o calendário das safras agrícolas.

Na indústria, a abertura de postos foi liderada pela fabricação de veículos, derivados de petróleo e alimentos. Em sentido oposto, o comércio praticamente estagnou, reforçando que os segmentos mais dependentes do consumo das famílias continuam reagindo com maior cautela ao crédito caro e aos juros elevados.

Essa composição indica que a geração de empregos no Brasil passou a depender mais de setores específicos para manter saldo positivo. Quanto menor a contribuição das atividades ligadas ao consumo, mais difícil tende a ser recuperar o ritmo de contratações observado nos últimos anos.

Juros altos reduzem apetite das empresas para contratar

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu parte da desaceleração à política monetária restritiva. A Selic está em 14,25% ao ano, patamar que encarece financiamento, reduz investimento e dificulta a expansão das empresas.

Na prática, a geração de empregos no Brasil tende a perder ritmo quando o custo do crédito aumenta. Juros elevados pressionam margens, reduzem investimentos e fazem empresas adiarem contratações até que a demanda justifique ampliar o quadro de funcionários.

Esse impacto aparece com mais força em atividades que dependem de crédito, como comércio, construção, veículos e serviços empresariais. Mesmo quando há demanda, o empresário tende a preservar caixa antes de ampliar a folha de pagamento.

A guerra no Irã também entrou na explicação do ministro por gerar instabilidade global. Ainda assim, o efeito dos juros elevados sobre crédito, consumo e investimento exerce influência mais direta sobre as decisões de contratação no mercado interno.

O que a geração de empregos no Brasil sinaliza para os próximos meses

O resultado de maio não indica uma reversão do mercado de trabalho, mas reforça que a geração de empregos no Brasil entrou em uma fase de menor expansão. Enquanto o saldo permanecer positivo, a principal questão deixa de ser a criação líquida de vagas e passa a ser a capacidade de recuperar o ritmo de contratações observado nos últimos anos.

A evolução desse cenário dependerá principalmente da combinação entre crédito, juros e atividade econômica. Caso esses fatores continuem limitando os investimentos e o consumo, o mercado formal tende a manter crescimento moderado, prolongando um período de expansão mais lenta do emprego no país.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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