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Preço das passagens aéreas sobe 11%; entenda por que voar continua caro

O preço das passagens aéreas subiu novamente no Brasil. Entenda por que voar continua caro mesmo com recorde de passageiros e quase metade dos bilhetes abaixo de R$ 500.
Imagem da passageiros no aeroporto para ilustrar uma matéria jornalística sobre o preço das passagens aéreas no Brasil.
Passagens aéreas sobem 11% mesmo com alta demanda e combustível caro. (Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O preço das passagens aéreas voltou a subir no Brasil e reforçou um cenário que preocupa quem pretende viajar nos próximos meses. Em maio, a tarifa média dos voos domésticos alcançou R$ 632,53, valor 11,2% maior que o registrado no mesmo período de 2025, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O aumento aconteceu mesmo com o crescimento do número de passageiros, sinalizando que a demanda continua forte e que as companhias aéreas ainda enfrentam custos elevados para operar. O principal deles é o combustível de aviação, que sofreu forte alta ao longo do último ano.

Enquanto o querosene de aviação permanecer caro e a procura por voos continuar elevada, há pouco espaço para uma redução ampla das tarifas. Essa combinação ajuda a explicar por que voar continua pesando mais no orçamento, apesar da recuperação do setor.

Antes mesmo do período de férias, mais de 8,3 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos durante maio, mostrando que o mercado segue aquecido mesmo diante do encarecimento das viagens.

Por que as passagens aéreas continuam caras?

O principal fator é o aumento do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado pelas aeronaves. O litro do QAV atingiu R$ 6,46 em maio, alta de 68,5% em relação ao mesmo mês de 2025, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O impacto desse reajuste é alto porque o combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Assim, qualquer alta relevante no petróleo tende a ser repassada, ao menos parcialmente, ao preço das passagens.

A pressão veio do mercado internacional de petróleo, afetado pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além das incertezas sobre o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo transportado no mundo.

Por que ainda existem passagens abaixo de R$ 500?

A alta da tarifa média não significa que todos os passageiros pagaram mais de R$ 600 por um bilhete.

Os dados da Anac mostram que:

  • 20,7% das passagens custaram até R$ 300;
  • 28,4% ficaram entre R$ 300 e R$ 500;
  • 49,1% foram vendidas por menos de R$ 500;
  • 5,4% ultrapassaram R$ 1.500.

A explicação está na forma como a tarifa média é calculada. O indicador reúne desde passagens promocionais compradas com bastante antecedência até bilhetes adquiridos na última hora, que costumam ser muito mais caros.

Quando cresce a venda de tarifas elevadas, principalmente em períodos de maior procura, a média sobe mesmo que milhões de pessoas continuem encontrando opções mais baratas.

O que pode fazer o preço das passagens aéreas cair?

A evolução do valor das passagens aéreas dependerá principalmente do comportamento dos custos e da demanda.

Caso o preço internacional do petróleo recue e o combustível fique mais barato, as companhias ganham espaço para aliviar parte da pressão sobre as tarifas. Se o cenário geopolítico continuar instável e o QAV permanecer elevado, a tendência é de manutenção dos preços atuais.

Também pesa o ritmo da procura. O mercado doméstico cresceu 2,5% em maio, enquanto Latam e Gol ampliaram participação e passaram a concentrar cerca de 72% do setor, mostrando que a demanda continua forte mesmo diante do encarecimento das viagens.

Para quem pretende economizar, especialistas costumam recomendar algumas estratégias que continuam válidas mesmo em momentos de alta das tarifas aéreas:

  • comprar com antecedência;
  • evitar feriados e férias escolares;
  • escolher voos em dias úteis;
  • comparar horários e aeroportos próximos.

O cenário atual mostra que o preço das passagens aéreas deixou de refletir apenas promoções ou sazonalidade. Hoje, ele depende cada vez mais da combinação entre custos internacionais, especialmente do combustível, e de uma demanda que continua elevada. Enquanto esses dois fatores permanecerem pressionados, as tarifas tendem a seguir acima dos níveis observados nos últimos anos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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