Passagens aéreas sobem no Brasil e alta do combustível trava queda dos preços

O preço das passagens aéreas no Brasil segue pressionado mesmo com o aumento no número de voos. A alta do combustível de aviação e riscos externos, como tensões no Oriente Médio, limitam a queda nos preços e mantêm o custo elevado para o consumidor.
Aviões comerciais estacionados em aeroporto brasileiro, simbolizando preço das passagens aéreas
Aviação brasileira transportou 33,5 milhões de passageiros no 1º trimestre de 2026, enquanto custos com combustível seguem pressionando preços do setor

O preço das passagens aéreas no Brasil continua pressionado mesmo com o aumento no número de voos. A alta do combustível de aviação, influenciada por fatores externos como tensões no Oriente Médio, impede que o crescimento da demanda se traduza em passagens mais baratas.

No primeiro trimestre de 2026, o país registrou 33,5 milhões de passageiros, alta de 7,7% sobre o ano anterior. O dado confirma um setor em expansão, mas não resolve o principal ponto para o consumidor: o custo de viajar.

Na prática, mais gente voando não significa passagem mais barata. O setor cresce, mas continua altamente dependente do preço do combustível, que segue como o principal fator de pressão.

Preço das passagens aéreas: o que está por trás da alta

O principal fator por trás do aumento no preço das passagens aéreas continua sendo o custo do combustível. O querosene de aviação, altamente sensível ao mercado internacional, segue pressionado e tem impacto direto sobre as tarifas. A guerra no Irã entra nesse cenário como um risco adicional de encarecimento.

Esse custo elevado altera a dinâmica do setor. Mesmo com a demanda em alta, as companhias operam com margens mais apertadas, o que limita qualquer redução relevante nos preços.

É nesse contexto que os dados de demanda ajudam a entender o contraste. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, com base na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Brasil registrou 25,2 milhões de passageiros em voos domésticos, alta de 6%, e 8,3 milhões em viagens internacionais, com avanço de 13%.

O crescimento mais forte nas rotas internacionais indica retomada do turismo e das viagens corporativas, enquanto o mercado doméstico segue sustentado pela circulação interna.

Ainda assim, o aumento no número de passageiros não resolve a equação central do setor. Mais gente voando indica atividade econômica mais aquecida, mas não reduz o custo estrutural — que continua atrelado ao preço global do combustível.

Combustível vira o principal limite para queda das passagens

O combustível representa uma das maiores despesas das companhias aéreas e, consequentemente, um dos principais elementos do aumento dos preços das passagens. Quando o preço sobe, as empresas têm duas opções: absorver o impacto ou repassar o custo ao consumidor.

Para tentar conter esse efeito, o governo federal adotou medidas emergenciais, como a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e o adiamento do pagamento de tarifas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Essas ações aliviam o caixa no curto prazo, mas não eliminam o problema estrutural. O preço do combustível segue dependente do mercado internacional, o que mantém a pressão sobre o setor.

Confira, no vídeo, detalhes sobre o cancelamento de voos pelas companhias aéreas diante da alta do petróleo no exterior:

Crédito público tenta evitar repasse imediato

Outra frente aberta pelo governo envolve financiamento direto ao setor. Está prevista a liberação de até R$ 2,5 bilhões pelo Fundo Nacional de Aviação Civil, com operação via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na prática, o crédito funciona como um amortecedor de curto prazo. As companhias podem usar os recursos para compra de combustível e capital de giro, reduzindo a pressão imediata sobre o caixa em um cenário de custos elevados.

O objetivo é claro: evitar que a alta do combustível seja repassada rapidamente ao preço das passagens aéreas.

O limite, porém, permanece. Como o custo do querosene de aviação depende do mercado internacional, o efeito tende a ser temporário. Se a pressão persistir, o repasse ao consumidor volta a aparecer, mesmo com apoio financeiro.

Demanda forte não resolve o custo das passagens aéreas

Apesar dos preços das passagens aéreas, o desempenho nos primeiros meses de 2026 reforça a recuperação do setor aéreo após a pandemia. No primeiro bimestre, o Brasil registrou 22,9 milhões de passageiros, alta de 10,1% e o maior volume para o período em 25 anos.

Em março, foram 10,6 milhões de passageiros, com crescimento de 3,1% sobre o mesmo mês de 2025.

Os números mostram um setor com demanda consistente, mas também reforçam o limite: crescimento de passageiros nos aeroportos não resolve a equação de custos.

Enquanto o volume de viagens aumenta, o preço final continua condicionado a fatores externos, principalmente o combustível.

O que muda para quem vai viajar

Para o consumidor, o cenário é direto: os preços das passagens aéreas tendem a permanecer caras ou sob pressão.

A possibilidade de queda nos preços depende menos da demanda e mais do comportamento do combustível.

  • Se o combustível subir, as passagens tendem a subir
  • Se estabilizar, abre espaço para promoções

Na prática, o brasileiro pode encontrar mais opções de voos, mas não necessariamente preços mais baixos.

Portanto, o avanço no número de passageiros mostra um mercado de transporte aéreo em recuperação, mas também reforça que o principal fator que define o preço da viagem não está no Brasil, e sim no mercado global de energia.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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