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Desvalorização do iene derruba moeda ao menor nível desde 1986 e ameaça exportações brasileiras

A desvalorização do iene fortalece as exportações japonesas, altera a competitividade internacional e pode gerar reflexos para empresas brasileiras. Entenda por que o câmbio do Japão passou a influenciar o comércio global.
Símbolo do iene aparece ao lado de notas japonesas e uma seta de queda, representando a desvalorização da moeda.
Desvalorização do iene reforça a competitividade das exportações japonesas e amplia impactos no comércio global. (Foto: Ilustrativa)

A desvalorização do iene levou a moeda japonesa ao menor nível frente ao dólar desde 1986, mesmo após alta dos juros promovida pelo Banco do Japão (BOJ) e uma intervenção cambial recorde. O movimento reforça a competitividade das empresas japonesas e amplia seus efeitos sobre o comércio internacional.

O enfraquecimento da moeda reduz o preço, em dólares, de produtos fabricados no Japão. Isso favorece exportadores e aumenta a capacidade de competir em mercados externos justamente em um momento de desaceleração da economia global.

A principal consequência vai além do mercado financeiro. Um iene mais fraco altera preços relativos entre países e influencia decisões de empresas que exportam, importam ou disputam mercados com fabricantes japoneses.

Desvalorização do iene fortalece a competitividade das exportações japonesas

Apesar de soar majoritariamente negativo, a queda do iene torna veículos, máquinas, equipamentos eletrônicos e outros produtos japoneses relativamente mais baratos quando negociados em dólar. Portanto, esse ganho cambial aumenta a margem das empresas exportadoras sem exigir redução dos preços em moeda local.

Esse efeito ajuda a explicar por que muitas companhias japonesas registram melhora nos resultados mesmo em um ambiente de crescimento econômico moderado. Além disso, também contribui para o desempenho da bolsa japonesa, que permanece próxima de máximas históricas.

A desvalorização do iene, no entanto, cria pressão adicional sobre concorrentes internacionais. Empresas brasileiras que disputam mercados externos com fabricantes japoneses, por exemplo, podem enfrentar concorrência mais intensa em segmentos industriais de maior valor agregado.

Empresas brasileiras podem sentir efeitos nas importações e na concorrência internacional

O Brasil mantém relações comerciais importantes com o Japão, principalmente em produtos agropecuários, minerais e bens industriais. Ao mesmo tempo, importa automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos produzidos por empresas japonesas.

Por esse motivo, o país pode ser afetado pela desvalorização do iene, com possíveis efeitos que podem se estender a:

  • Produtos japoneses mais competitivos no mercado brasileiro;
  • Maior concorrência para exportadores brasileiros em terceiros mercados;
  • Redução do custo de importação de máquinas e equipamentos produzidos no Japão;
  • Pressão competitiva sobre segmentos industriais nacionais.

A intensidade desses impactos dependerá da permanência do iene em níveis depreciados e da evolução do dólar frente às demais moedas.

Banco do Japão enfrenta limites para reverter desvalorização do iene

Mesmo após elevar a taxa básica de juros para 1%, o maior nível desde 1995, o Banco do Japão não conseguiu interromper a tendência de desvalorização. O principal motivo continua sendo o amplo diferencial entre os juros japoneses e norte-americanos, que mantém o dólar mais atrativo aos investidores.

O governo japonês também realizou uma intervenção de ¥ 11,73 trilhões, equivalente a cerca de US$ 72,5 bilhões, para tentar sustentar o iene. O efeito, porém, foi temporário, repetindo o padrão observado em 2022 e 2024.

Enquanto os investidores continuarem encontrando remuneração mais elevada nos Estados Unidos, especialistas avaliam que será difícil uma recuperação consistente da moeda japonesa apenas com intervenções ou aumentos graduais dos juros. Esse cenário mantém a desvalorização do iene como um fator relevante para o comércio global e para empresas brasileiras que competem ou negociam com o Japão.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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