O déficit do governo central chegou a R$ 44,385 bilhões entre janeiro e maio, revertendo o superávit de R$ 32,940 bilhões registrado no mesmo período de 2025 e marcando o pior resultado para os cinco primeiros meses do ano desde 2020. Somente em maio, o rombo primário foi de R$ 53,257 bilhões, em linha com a expectativa do mercado.
O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social. Apesar da arrecadação continuar em alta, o crescimento das despesas ocorreu em ritmo mais acelerado, ampliando o desequilíbrio fiscal.
O dado reforça que o principal desafio das contas públicas deixou de ser apenas aumentar a arrecadação. O avanço contínuo dos gastos obrigatórios passou a consumir parte relevante do ganho de receitas. Tornando, portanto, mais difícil alcançar a meta fiscal estabelecida para este ano.
Déficit do governo central cresce porque despesas avançam acima da arrecadação
A arrecadação continuou apresentando desempenho positivo em maio. A receita líquida somou R$ 197,977 bilhões, crescimento real de 5,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Ao mesmo tempo, as despesas totais alcançaram R$ 251,233 bilhões, avanço real de 9,4%, ritmo suficiente para anular o efeito do aumento da arrecadação sobre o resultado primário.
Entre as principais fontes de crescimento das receitas estiveram:
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): +R$ 3,8 bilhões (+36,7%)
- Cofins: +R$ 2,7 bilhões (+9,2%)
- Resultado líquido da Previdência: +R$ 3,1 bilhões (+5,3%)
- Exploração de recursos naturais: +R$ 6,3 bilhões (+84,5%)
O desempenho positivo, entretanto, foi parcialmente compensado pela queda de R$ 7,3 bilhões nos dividendos pagos à União, uma retração de 76,4% em relação a maio de 2025.
Gastos obrigatórios continuam pressionando o resultado fiscal
O déficit do governo central continuou sendo pressionado pelo avanço das despesas obrigatórias, principalmente pelos gastos com a Previdência Social. Mesmo com aumento da arrecadação, essas despesas cresceram em ritmo suficiente para impedir uma melhora do resultado primário.
Os benefícios previdenciários consumiram R$ 4,9 bilhões adicionais em relação a maio de 2025, alta real de 4,2%. Também cresceram os gastos com abono salarial e seguro-desemprego, que avançaram R$ 1 bilhão, equivalente a 9,8%.
Em sentido contrário, os desembolsos com subsídios, subvenções e Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) recuaram 50,5%, reduzindo as despesas em R$ 1,7 bilhão.
Apesar desse alívio pontual, o déficit do governo central permaneceu elevado porque a expansão dos gastos obrigatórios superou a economia obtida em outras rubricas. Esse comportamento mostra que o avanço da arrecadação, por si só, não garante melhora das contas públicas quando as despesas permanentes continuam crescendo acima das receitas.
Meta fiscal enfrenta desafio maior ao longo do ano
O governo central também registrou déficit acumulado de R$ 142,3 bilhões nos últimos 12 meses, equivalente a 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB).
A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual e exclusão de algumas despesas previstas nas regras do arcabouço fiscal.
Embora o resultado de maio tenha ficado praticamente em linha com as estimativas do mercado, o desempenho acumulado até maio mostra que o ajuste fiscal dependerá não apenas da continuidade da arrecadação em alta, mas também de uma desaceleração mais consistente do crescimento das despesas obrigatórias.
O pior resultado reforça que o equilíbrio das contas públicas continuará sendo um dos principais desafios da política econômica nos próximos meses, especialmente diante da necessidade de conciliar controle dos gastos, cumprimento da meta fiscal e manutenção das políticas públicas.





