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Déficit do governo central alcança pior resultado para os cinco primeiros meses do ano desde 2020

O déficit do governo central atingiu o pior resultado para janeiro a maio desde 2020. Veja quais receitas cresceram, quais despesas avançaram e o impacto para a meta fiscal.
Calculadora, moedas e gráfico financeiro em primeiro plano diante de prédio público e bandeira do Brasil, simbolizando o déficit do governo central.
O déficit do governo central foi pressionado pelo crescimento das despesas acima da arrecadação.(Foto: Ilustrativa)

O déficit do governo central chegou a R$ 44,385 bilhões entre janeiro e maio, revertendo o superávit de R$ 32,940 bilhões registrado no mesmo período de 2025 e marcando o pior resultado para os cinco primeiros meses do ano desde 2020. Somente em maio, o rombo primário foi de R$ 53,257 bilhões, em linha com a expectativa do mercado.

O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social. Apesar da arrecadação continuar em alta, o crescimento das despesas ocorreu em ritmo mais acelerado, ampliando o desequilíbrio fiscal.

O dado reforça que o principal desafio das contas públicas deixou de ser apenas aumentar a arrecadação. O avanço contínuo dos gastos obrigatórios passou a consumir parte relevante do ganho de receitas. Tornando, portanto, mais difícil alcançar a meta fiscal estabelecida para este ano.

Déficit do governo central cresce porque despesas avançam acima da arrecadação

A arrecadação continuou apresentando desempenho positivo em maio. A receita líquida somou R$ 197,977 bilhões, crescimento real de 5,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Ao mesmo tempo, as despesas totais alcançaram R$ 251,233 bilhões, avanço real de 9,4%, ritmo suficiente para anular o efeito do aumento da arrecadação sobre o resultado primário.

Entre as principais fontes de crescimento das receitas estiveram:

  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL): +R$ 3,8 bilhões (+36,7%)
  • Cofins: +R$ 2,7 bilhões (+9,2%)
  • Resultado líquido da Previdência: +R$ 3,1 bilhões (+5,3%)
  • Exploração de recursos naturais: +R$ 6,3 bilhões (+84,5%)

O desempenho positivo, entretanto, foi parcialmente compensado pela queda de R$ 7,3 bilhões nos dividendos pagos à União, uma retração de 76,4% em relação a maio de 2025.

Gastos obrigatórios continuam pressionando o resultado fiscal

O déficit do governo central continuou sendo pressionado pelo avanço das despesas obrigatórias, principalmente pelos gastos com a Previdência Social. Mesmo com aumento da arrecadação, essas despesas cresceram em ritmo suficiente para impedir uma melhora do resultado primário.

Os benefícios previdenciários consumiram R$ 4,9 bilhões adicionais em relação a maio de 2025, alta real de 4,2%. Também cresceram os gastos com abono salarial e seguro-desemprego, que avançaram R$ 1 bilhão, equivalente a 9,8%.

Em sentido contrário, os desembolsos com subsídios, subvenções e Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) recuaram 50,5%, reduzindo as despesas em R$ 1,7 bilhão.

Apesar desse alívio pontual, o déficit do governo central permaneceu elevado porque a expansão dos gastos obrigatórios superou a economia obtida em outras rubricas. Esse comportamento mostra que o avanço da arrecadação, por si só, não garante melhora das contas públicas quando as despesas permanentes continuam crescendo acima das receitas.

Meta fiscal enfrenta desafio maior ao longo do ano

O governo central também registrou déficit acumulado de R$ 142,3 bilhões nos últimos 12 meses, equivalente a 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB).

A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual e exclusão de algumas despesas previstas nas regras do arcabouço fiscal.

Embora o resultado de maio tenha ficado praticamente em linha com as estimativas do mercado, o desempenho acumulado até maio mostra que o ajuste fiscal dependerá não apenas da continuidade da arrecadação em alta, mas também de uma desaceleração mais consistente do crescimento das despesas obrigatórias.

O pior resultado reforça que o equilíbrio das contas públicas continuará sendo um dos principais desafios da política econômica nos próximos meses, especialmente diante da necessidade de conciliar controle dos gastos, cumprimento da meta fiscal e manutenção das políticas públicas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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