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Grupo Mateus recebe autuação bilionária da Receita Federal por benefício fiscal de ICMS

A Receita Federal autuou o Grupo Mateus em R$ 1,28 bilhão por uma disputa sobre créditos de ICMS. Entenda o que motivou a cobrança e quais podem ser os impactos.
Fachada de uma unidade do Grupo Mateus, varejista que recebeu autuação de R$ 1,28 bilhão da Receita Federal por disputa tributária envolvendo créditos presumidos de ICMS.
A autuação questiona o tratamento tributário adotado pelo Grupo Mateus sobre créditos presumidos de ICMS referentes aos exercícios de 2022 e 2023. (Foto: Reprodução)

O Grupo Mateus informou, nessa segunda-feira (29/06), que recebeu uma autuação da Receita Federal no valor de R$ 1,28 bilhão contra sua controlada Armazém Mateus. O auto de infração refere-se aos exercícios de 2022 e 2023 e questiona o tratamento tributário adotado pela empresa sobre incentivos fiscais relacionados ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Do total cobrado, R$ 492,9 milhões correspondem ao tributo principal, enquanto R$ 789 milhões referem-se a multas e juros. A companhia informou que, após análise preliminar de seus assessores jurídicos, classificou a contingência como de “perda possível“, indicando que pretende contestar a cobrança.

O processo ainda será analisado na esfera administrativa e poderá chegar ao Judiciário caso não haja uma decisão favorável. Isso significa que a cobrança ainda não representa um desembolso imediato, embora passe a integrar um dos principais riscos tributários da companhia.

Autuação Grupo Mateus Receita Federal envolve incentivos fiscais de ICMS

A autuação do Grupo Mateus pela Receita Federal concentra-se em uma discussão tributária recorrente entre grandes empresas e o Fisco: o tratamento dos créditos presumidos de ICMS.

Esses créditos fazem parte de incentivos concedidos pelos estados para estimular investimentos, expansão de empresas e desenvolvimento econômico. Na prática, eles reduzem parte do ICMS devido pelas companhias, diminuindo sua carga tributária estadual.

A divergência começa quando esse benefício passa a influenciar a tributação federal. A Armazém Mateus excluiu esses créditos da base de cálculo do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), dois tributos calculados sobre o lucro das empresas. A Receita Federal entende que essa exclusão não se aplica nas condições verificadas pela fiscalização, enquanto o Grupo Mateus afirma possuir respaldo legal para o tratamento adotado.

A discussão ganhou relevância após mudanças na legislação das chamadas subvenções para investimento, que alteraram as regras sobre quais incentivos estaduais podem reduzir a tributação federal. Desde então, a Receita passou a revisar operações semelhantes em diferentes companhias, elevando o número de autuações envolvendo benefícios fiscais.

O que significa a classificação de “perda possível”

Trata-se de uma avaliação contábil que indica a existência de risco de derrota, mas sem probabilidade suficiente para exigir o reconhecimento imediato da obrigação financeira.

Pelas normas contábeis, as empresas registram provisões apenas quando consideram a perda provável e conseguem estimar seu valor com segurança. Quando classificam o risco como possível, elas divulgam o processo nas demonstrações financeiras, mas não reduzem automaticamente o lucro nem comprometem o caixa da companhia.

Esse enquadramento também explica por que disputas tributárias desse porte podem permanecer em discussão durante anos. Enquanto os recursos administrativos e judiciais seguem em andamento, a empresa mantém sua defesa e acompanha a evolução do processo.

Autuação bilionária amplia atenção sobre a estratégia do Grupo Mateus

Embora o processo ainda esteja em fase inicial, uma autuação de R$ 1,28 bilhão tende a aumentar o acompanhamento do mercado sobre a gestão financeira da companhia, principalmente por envolver uma das maiores varejistas alimentares do Norte e Nordeste.

O episódio ocorre enquanto o Grupo Mateus continua ampliando seus negócios. Em junho, a empresa inaugurou sua primeira operação farmacêutica, a Mix Toureiro Farma, em São Luís (MA), marcando sua entrada no varejo farmacêutico por meio de parceria com a ASJ Holding, ligada ao Grupo Toureiro.

Por ora, a companhia não anunciou mudanças em seus planos de expansão nem reconheceu impacto financeiro decorrente da cobrança. O próximo passo será apresentar sua defesa no processo administrativo, enquanto investidores acompanham os desdobramentos da autuação do Grupo Mateus pela Receita Federal.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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