Atualmente seis bancos olharam os números do Digimais, mas a venda do banco ligado a Edir Macedo depende de uma conta bilionária com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo apuração do Pipeline, o Banco Safra está entre os bancos que acessaram o data room do processo competitivo.
O acesso ao data room indica avaliação dos ativos, dos passivos e das condições da transação. Até aqui, não significa proposta apresentada pelo Safra.
A parte mais sensível está em quem assume a diferença entre o valor que um comprador aceitaria pagar e o passivo coberto pelo FGC. Segundo a apuração, esse passivo gira em torno de R$ 7 bilhões.
Para o fundo garantidor, uma venda pode representar um desembolso menor do que uma eventual liquidação do Digimais. Para o comprador, o negócio só faz sentido se o risco vier acompanhado de uma estrutura financeira atraente.
O BTG saiu do centro isolado da operação
O BTG Pactual já havia se apresentado ao processo em abril, por meio de um acordo preliminar para atuar como “stalking horse”. Nesse modelo, o interessado pode ter o direito de cobrir uma proposta feita por outro competidor, caso a venda avance.
Segundo o Pipeline, o apetite do BTG teria diminuído após a Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de fraude contábil envolvendo fundos ligados ao banco.
A presença do Safra entre os bancos que acessaram o data room mostra que o processo não está restrito ao BTG. Ainda assim, interesse inicial não equivale a negócio fechado. A decisão depende da conta final para comprador, FGC e reguladores.
Crédito tributário muda a conta dos bancos
O Digimais também chama atenção pelo possível crédito tributário que a operação pode gerar. Segundo o Pipeline, esse valor poderia chegar a cerca de R$ 3 bilhões.
Esse benefício ajuda a explicar por que uma instituição com passivos elevados ainda atrai análise de bancos. O valor econômico da transação não está apenas na carteira do Digimais, mas na combinação entre deságio, apoio do FGC, caixa disponível e ganho fiscal.
Os números mostram a complexidade da venda. Em dezembro, os depósitos somavam R$ 8,5 bilhões dentro de um passivo total de R$ 9,2 bilhões. O banco também tinha mais de R$ 2 bilhões em caixa após aporte dos acionistas, conforme fonte próxima ao assunto citada na apuração.
No fim, o futuro da venda do Digimais depende menos do número de bancos que olharam o ativo e mais da engenharia financeira que o FGC aceitará dividir.





