A Great Wall Motor (GWM) anunciou nessa terça-feira (30/06) a construção de sua segunda fábrica no Brasil, em Aracruz (ES), com início das operações previsto para 2029. O investimento integra o plano de R$ 10 bilhões da montadora chinesa no país e amplia sua capacidade industrial.
A GWM ocupará uma área de 1,7 milhão de metros quadrados às margens da ES-257, em Barra do Riacho, próxima ao Portocel e à Suzano. A empresa prevê iniciar as operações em 2029.
Mais do que aumentar a produção de veículos elétricos, híbridos e a combustão, o anúncio evidencia uma mudança estratégica. A GWM no Brasil deixa de concentrar seus esforços apenas no mercado doméstico e passa a estruturar uma plataforma capaz de atender outros países da América Latina.
GWM no Brasil executa plano iniciado há quatro anos
A nova fábrica não representa uma decisão isolada. A expansão da GWM no Brasil começou em 2021, quando a companhia adquiriu a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, interior paulista. Marcando, assim, sua entrada definitiva na produção nacional.
Desde então, a montadora vem executando etapas sucessivas de um projeto de longo prazo. Em 2022, anunciou investimentos de R$ 10 bilhões para desenvolver uma operação industrial própria, ampliar o portfólio eletrificado e transformar o país em sua principal base latino-americana.
A inauguração da fábrica paulista, em dezembro de 2025, confirmou essa estratégia. Além de iniciar a produção local dos modelos Haval, a unidade passou a concentrar investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento para adaptar veículos às condições do mercado regional.
Nacionalização fortalece a operação industrial
Até agora, a operação da GWM no Brasil utiliza principalmente sistemas CKD e SKD, nos quais os veículos chegam parcialmente desmontados para montagem local. Esse modelo permitiu acelerar o início da produção, mas mantém elevada dependência de componentes importados.
A empresa trabalha para ampliar gradualmente a participação da indústria nacional em sua cadeia de suprimentos. Hoje, cerca de 15% das peças utilizadas em Iracemápolis são produzidas por fornecedores brasileiros, índice que deverá chegar a 35% nos próximos dois anos.
Essa evolução reduz a exposição cambial, fortalece fornecedores locais e aumenta a competitividade da operação brasileira. Além disso, especialmente em um cenário de crescimento da produção de veículos eletrificados.
Exportações colocam o Brasil no centro da estratégia regional
Aracruz representa um salto importante nessa estratégia. A futura unidade foi planejada para produzir veículos elétricos, híbridos e modelos a combustão na mesma linha de montagem, oferecendo flexibilidade para responder às mudanças de demanda do mercado.
Segundo a empresa, a produção atenderá inicialmente o mercado brasileiro. Na etapa seguinte, a fábrica da GWM deverá abastecer outros países da América Latina, consolidando o Brasil como plataforma regional de exportação.
Esse objetivo acompanha a estratégia divulgada pela própria GWM desde sua chegada ao país. Ao combinar capacidade industrial, ampliação da nacionalização e localização logística favorável, a empresa busca reduzir custos de distribuição e ampliar sua presença fora do mercado brasileiro.
Brasil vira centro de competição entre GWM e outras marcas de elétricos na América Latina
A nova fábrica também reforça a disputa entre as montadoras chinesas instaladas no país. Enquanto BYD e GWM avançam na produção local, a competição deixa de depender apenas de importações e passa a envolver investimentos industriais, desenvolvimento de fornecedores e capacidade de exportação.
Mais do que ampliar sua produção, a GWM no Brasil passa a desempenhar um papel estratégico na expansão internacional da companhia. Se o cronograma for cumprido, o país deixará de ser apenas um dos mercados da montadora para se consolidar como sua principal base industrial na América Latina.





