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PF desmonta esquema que usava IA para criar sites falsos do governo

A Operação AD Phishing expõe como a inteligência artificial elevou o nível dos golpes que imitam páginas oficiais do governo. Entenda como essa fraude evoluiu e saiba identificar os principais sinais de risco.
Agentes da Polícia Federal durante operação contra grupo investigado por usar inteligência artificial e sites falsos para aplicar golpes.
peração AD Phishing investiga grupo suspeito de usar IA, anúncios fraudulentos e páginas falsas que imitavam serviços do governo. (Foto: Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (01/07) a Operação AD Phishing para desarticular um golpe que utilizava inteligência artificial (IA), anúncios patrocinados e sites e páginas falsos para simular serviços do governo federal. A investigação identificou 1.770 anúncios fraudulentos vinculados a dezenas de domínios que imitavam órgãos públicos.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. Os investigados podem responder por uso indevido de selo público, estelionato, associação criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro, entre outros delitos.

O caso evidencia uma mudança importante no crime digital. A inteligência artificial não criou o phishing, mas aumentou sua capacidade de enganar usuários ao produzir páginas visualmente quase idênticas às oficiais, textos mais convincentes e campanhas em larga escala, reduzindo sinais que antes facilitavam a identificação das fraudes.

Como o golpe com IA em sites do governo ficou mais difícil de identificar

Os golpes contra usuários do Gov.br evoluíram além das mensagens com erros de português e páginas improvisadas. Ferramentas de IA passaram a produzir conteúdos com aparência profissional, reproduzindo identidade visual, linguagem institucional e até atendimentos simulados em formato de chat.

Essa sofisticação apareceu em alertas recentes do Ministério da Fazenda. Um dos golpes simulava uma página do programa Desenrola Brasil, prometendo descontos de até 96% para renegociação de dívidas. Depois de solicitar CPF e dados pessoais, o site exigia uma falsa taxa administrativa de R$ 92,80 para concluir um benefício que, na realidade, era gratuito.

Mais do que copiar o visual de sites e páginas oficiais do Governo, a IA ampliou a eficiência desses golpes ao permitir:

  • Criação rápida de sites praticamente idênticos aos originais;
  • Produção de textos sem erros gramaticais;
  • Personalização de campanhas para diferentes públicos;
  • Desenvolvimento de chatbots que simulam atendimento oficial;
  • Publicação de centenas de páginas fraudulentas em pouco tempo.

Inteligência artificial reduz o custo e amplia a escala das fraudes

A principal transformação não está apenas na qualidade visual dos golpes. A IA reduziu o tempo e o conhecimento técnico necessários para produzir campanhas fraudulentas, permitindo que criminosos criem novos sites sempre que páginas anteriores são retiradas do ar.

Levantamento da Jusbrasil reforça essa tendência ao apontar crescimento das ações relacionadas a estelionato desde a popularização da IA generativa, no fim de 2022. Nesse contexto, o golpe com IA em sites do governo tornou-se um exemplo de como essas ferramentas ampliam a capacidade de produzir fraudes em larga escala. Tudo com uso de deepfakes, conteúdos automatizados e textos sem erros que antes despertavam desconfiança.

Esse cenário também amplia a atuação de grupos criminosos internacionais. Ferramentas automáticas de tradução permitem adaptar rapidamente campanhas para diferentes idiomas, enquanto recursos de programação auxiliam na criação de estruturas mais sofisticadas para capturar dados pessoais e financeiros.

Operação AD Phishing amplia o foco sobre a segurança dos serviços digitais

A investigação conduzida pela Polícia Federal vai além da responsabilização criminal dos envolvidos por golpes com IA em sites do governo. A operação evidencia que proteger os serviços digitais do governo passou a exigir respostas cada vez mais rápidas. Isso, diante da velocidade com que novas fraudes são produzidas.

O impacto ultrapassa as perdas financeiras das vítimas. Quando páginas falsas reproduzem com precisão a identidade visual do governo, cresce o risco de perda de confiança nos canais digitais utilizados para acessar benefícios, consultar informações e realizar serviços públicos.

Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas remover sites fraudulentos. A evolução do golpe com IA em sites do governo mostra que o combate ao phishing dependerá cada vez mais da combinação entre investigação policial, tecnologia de detecção e conscientização dos usuários. Afinal, a inteligência artificial tornou essas fraudes mais rápidas de produzir e muito mais difíceis de reconhecer.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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