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Amil avalia venda da empresa enquanto fundos Advent e Bain Capital renovam interesse

Advent e Bain negociam a compra da Amil em um movimento que reforça a consolidação da saúde privada. Veja o que está em jogo.
Recepção da Amil com logotipo da operadora em destaque em um painel azul, mesas e cadeiras ao fundo e um objeto desfocado em primeiro plano.
Fundos Advent e Bain Capital negociam a compra do controle da Amil, em mais um movimento de consolidação do setor de saúde privada. (Foto: Reprodução)

A Amil voltou ao centro das negociações do mercado de saúde após os fundos Advent International e Bain Capital manifestarem interesse em assumir o controle da operadora. As conversas sobre uma possível venda da Amil, ou de parte da empresa, seguem em estágio preliminar e ainda não há definição sobre o formato da operação ou sua conclusão.

O interesse marca uma reaproximação dos dois fundos, que já tentaram adquirir a companhia em outras ocasiões. Desta vez, porém, o cenário é diferente. Depois de anos de dificuldades financeiras, a operadora reorganizou suas contas, fortaleceu sua estrutura assistencial e voltou a despertar o interesse de investidores.

Mais do que uma possível mudança de controle, a negociação reforça uma nova fase de consolidação da saúde privada, na qual ativos capazes de combinar escala, hospitais próprios e geração de caixa passaram a ocupar posição estratégica para fundos de investimento.

Recuperação da Amil mudou o interesse dos investidores

A negociação atual da venda da Amil ocorre em um contexto diferente daquele de 2023, quando José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, comprou a operadora da americana UnitedHealth em uma operação avaliada em cerca de R$ 11 bilhões, incluindo mais de R$ 9 bilhões em passivos.

Desde então, a empresa passou por uma reorganização operacional e financeira. Um dos principais movimentos foi a criação de uma joint venture com a Dasa, reunindo 25 hospitais e clínicas de oncologia em um grupo que se tornou o segundo maior da saúde hospitalar privada brasileira, atrás apenas da Rede D’Or.

Os resultados financeiros acompanharam essa transformação. A companhia saiu de uma geração bruta negativa de R$ 4 bilhões em 2023 para uma geração positiva de R$ 5,4 bilhões no ano seguinte. No primeiro trimestre deste ano, registrou lucro líquido de R$ 519,7 milhões, embora o resultado tenha recuado quase 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse desempenho ajuda a explicar por que a venda da Amil voltou a mobilizar grandes fundos internacionais. A recuperação financeira e a integração da rede assistencial elevaram novamente o valor estratégico da operadora para investidores especializados em ativos de longo prazo.

Venda da Amil reforça consolidação da saúde privada

A venda da Amil, caso avance, se encaixa em um movimento mais amplo de concentração do setor. Operadoras, hospitais, laboratórios e clínicas passaram a buscar estruturas integradas para enfrentar o aumento dos custos médicos e ampliar ganhos de eficiência.

Dados da KPMG, uma das maiores redes globais de prestação de serviços profissionais, mostram que as fusões e aquisições em saúde cresceram de forma consistente nos últimos anos:

  • 115 operações em 2023
  • 133 operações em 2024
  • 141 operações em 2025

Esse avanço reflete mudanças estruturais no mercado. O envelhecimento da população aumenta a demanda por assistência médica, enquanto despesas com procedimentos, medicamentos e tecnologias pressionam as margens das operadoras.

Nesse ambiente, empresas que controlam diferentes etapas do atendimento conseguem reduzir custos, compartilhar infraestrutura e fortalecer sua capacidade de negociação com fornecedores e prestadores de serviços.

Também por isso, ativos como a Amil passaram a atrair novamente grandes fundos internacionais interessados em acelerar ganhos operacionais antes de uma futura venda ou abertura de capital.

Preço e modelo do negócio ainda podem definir o futuro da Amil

Apesar das negociações, o desfecho permanece indefinido. Fontes próximas às conversas afirmam que Advent e Bain demonstram interesse pelo controle da empresa, enquanto José Seripieri Filho ainda avalia a possibilidade de permanecer à frente de parte da operação.

O formato do acordo, no entanto, continua em aberto. Entre as alternativas discutidas estão a venda integral da companhia ou uma estrutura que preserve a participação de Júnior na gestão do negócio.

Independentemente do modelo escolhido, a negociação para venda da Amil evidencia uma mudança relevante no mercado. A recuperação transformou uma operadora que enfrentava dificuldades em uma operadora novamente disputada pelos grandes fundos de private equity, reforçando, assim, a tendência de consolidação que deve continuar redesenhando a saúde suplementar brasileira.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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