O lucro das estatais federais alcançou R$ 169,4 bilhões em 2025, avanço de 45,4% sobre o ano anterior. O resultado fortaleceu o caixa das empresas, elevou os investimentos ao maior nível dos últimos anos e consolidou um lucro acumulado de quase R$ 484 bilhões entre 2023 e 2025.
Apesar do desempenho recorde, um dado chama atenção: os repasses aos acionistas diminuíram. As estatais distribuíram R$ 84,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, dos quais R$ 45,8 bilhões foram destinados à União. O valor representa queda de 44,6% frente a 2024 porque parte maior dos lucros permaneceu nas empresas para financiar investimentos.
Os números do relatório agregado do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) mostram que o resultado vai além do lucro recorde. Ele reforça a capacidade de investimento das empresas públicas, amplia sua participação na atividade econômica e explica por que o governo optou por priorizar a expansão em vez de distribuir parcela maior dos ganhos.
Por que os dividendos caíram mesmo com lucro recorde das estatais?
À primeira vista, o resultado parece contraditório. O lucro aumentou quase pela metade, mas os dividendos pagos aos acionistas diminuíram.
A explicação está na estratégia financeira adotada pelas empresas. Segundo o MGI, uma parcela maior dos ganhos foi retida para financiar investimentos, ampliar projetos e fortalecer a capacidade operacional das estatais, reduzindo a necessidade de recorrer a outras fontes de financiamento.
Isso significa que uma fatia menor do lucro foi distribuída imediatamente aos acionistas, enquanto mais recursos permaneceram dentro das companhias para sustentar planos de expansão.
Investimentos aceleram e patrimônio das estatais supera R$ 1 trilhão
A retenção de lucros ajudou a impulsionar os investimentos. Em 2025, as estatais aplicaram R$ 115,9 bilhões, registrando o terceiro ano consecutivo de crescimento. Em comparação com 2022, o avanço chegou a 115%.
O relatório também mostra outros recordes:
- R$ 1,4 trilhão de faturamento, alta de 6,3%;
- R$ 7,2 trilhões em ativos;
- Patrimônio líquido superior a R$ 1 trilhão pela primeira vez;
- Lucro acumulado de quase R$ 484 bilhões entre 2023 e 2025.
Esses indicadores reforçam o peso das 44 empresas estatais federais, responsáveis por cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e 6% da arrecadação tributária do país.
Três empresas concentraram quase todo o lucro das estatais
Outro dado relevante do levantamento é a forte concentração dos resultados.
Petrobras (PETR4), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil (BBAS3) responderam por 90,9% do lucro total das estatais em 2025. Isso mostra que o desempenho agregado depende, em grande medida, das grandes companhias de energia e do sistema financeiro público.
O principal destaque foi a Petrobras, que registrou lucro líquido de R$ 110,605 bilhões, alta de 198,9% sobre 2024.
A companhia também alcançou sua maior produção total operada da história, com 4,32 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 11%. Já a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) arrecadou R$ 30,9 bilhões, superando toda sua arrecadação acumulada desde a criação da empresa.
No outro extremo, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,458 bilhões, piora de 245,6% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, Telebras e Infraero voltaram ao lucro, enquanto outras quatro estatais repetiram essa recuperação. Seis empresas, porém, fizeram o movimento inverso e encerraram 2025 no vermelho.
O que o lucro recorde significa para as contas públicas
O resultado não representa apenas um ganho para as empresas.
Mesmo com menor distribuição de dividendos, a União recebeu R$ 45,8 bilhões, reforçando sua receita. Ao mesmo tempo, a retenção de parte dos lucros amplia a capacidade das estatais de financiar investimentos futuros, o que pode reduzir a necessidade de novos aportes públicos e sustentar projetos de expansão nos próximos anos.
O relatório mostra, assim, um equilíbrio entre remuneração ao governo e fortalecimento financeiro das empresas. Em vez de maximizar os dividendos no curto prazo, a estratégia priorizou ampliar investimentos e preservar recursos para crescimento, movimento que ajuda a explicar por que o lucro recorde não foi acompanhado por uma distribuição recorde aos acionistas.





